ENSINO MÉDIO GANHOU NOVAS DIRETRIZES CURRICULARES NESTE ANO

Ensino Médio ganhou novas diretrizes curriculares neste ano - João Bittar/MEC
Ensino Médio ganhou novas diretrizes curriculares neste ano – João Bittar/MEC

Mariana Mandelli

No início do ano, o Ensino médio ganhou novas diretrizes curriculares nacionais. Aprovada – com restrições – pelo Ministério da Educação (MEC) em janeiro, a resolução nº 2 do Conselho Nacional de Educação (CNE) prevê algumas possibilidades de modificação do período noturno dessa etapa da Educação Básica.

Segundo o texto, o Ensino Médio regular noturno, adequado às condições de trabalhadores, ampliar a duração do curso para mais de três anos, diminuindo assim a carga horária diária e, consequentemente a anual, e garantido o mínimo de 2.400 horas que lei exige.
Inicialmente, a resolução também previa que o Ensino Médio tivesse aulas à distância, mas o mecanismo foi vetado pelo MEC.

A discussão do currículo no Ensino Médio noturno é tema de estudos e pesquisas há décadas. A ideia de uma proposta diferenciada para o noturno – já que, apesar das deficiências, especialistas acham difícil que essa modalidade seja extinta – também permeia o debate.

“Está claro que o nível de aprendizagem de quem estuda à noite está muito aquém do desejável. A formação é ruim: muitos que estão no Ensino Médio aprenderam o necessário para estar na 7ª série, quando muito. Também está evidente que o currículo não dialoga com a juventude. É arcaico e não faz sentido, porque não prepara nem para o mercado de trabalho e nem para o mundo”, afirma Wagner Santos, do Programa Jovens Urbanos

O projeto é responsável pela formação de jovens de 16 até 20 anos que moram em áreas metropolitanas vulneráveis e tem coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

Para Santos, o Ensino Médio – especialmente o noturno – deve mostrar a que veio. “Precisamos saber o que queremos dessa etapa de ensino. Muitos cursam só para ter diploma e uma melhor oportunidade de emprego. O desafio mesmo é conseguirmos ampliar o repertório desse jovem. O processo precisa ser qualificado”, opina.

De acordo com Isabel Santana, da Fundação Itaú Social, é preciso pensar o Ensino Médio noturno além do currículo, passando também pela gestão da escola durante esse período. “Ao assumirmos que o noturno é uma condição necessária, a escola deveria de forma diferente na gestão desse horário. Ele não pode ser organizado como o matutino”, explica. “Cada turno de um colégio é uma escola diferente. Não é só porque fica no mesmo prédio que é a mesma escola.”

Segundo ela, o gestor deve procurar minimizar os possíveis danos pelo fato de a aula ser à noite. “O diretor deve pensar em atividades, na grade de disciplinas e na presença de funcionários para lidar com o público que estuda nesse horário”, sugere Isabel.

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