Reajuste é reprovado por comando de greve

Sindicato dos docentes afirma que a proposição do governo não considera as perdas com a inflação

Brasília. Após o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) apresentar proposta de reajuste salarial aos professores das universidades federais – em greve desde maio -, o sindicato da categoria divulgou nota rechaçando o acordo. A proposta feita pelo governo na última sexta-feira prevê reajuste entre 12% e 40% aos docentes em três anos.

A Universidade Federal do Ceará (UFC) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) estão em greve FOTO: MARÍLIA CAMELO

O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) divulgou texto em que afirma manter a greve, e pede que os docentes façam uma “análise crítica” da proposta. Um dos argumentos é que o reajuste só recupera a perda salarial causada pela inflação dos últimos anos.

A proposta do governo é que o valor seja escalonado ao longo de três anos, com impacto de R$ 3,9 bilhões nos cofres públicos – o orçamento do Ministério da Educação, em 2012, é de R$ 85 bilhões. Segundo o Andes, a variação da inflação entre 2010 e 2015 (quando acabaria o período do novo reajuste) é de 35,5%, muito próximo do índice proposto pelo governo. A greve dos docentes completa dois meses hoje. Até sexta-feira, as universidades devem encaminhar ao sindicato seus posicionamentos. Uma nova reunião entre a categoria e o governo está agendada para segunda-feira.

O Andes afirma que, com a proposta do governo, só o professor-titular, no topo da carreira, terá um ganho real ao final de três anos. Esse grupo representa cerca de 10% dos docentes ativos, um total de pouco menos de 70 mil. “A proposta do movimento docente é de ingresso (…) com piso salarial atrativo, independente da titulação”, afirma o comunicado do sindicato.

De acordo com tabela do governo, um professor no último nível da categoria adjunto e com título de mestrado, por exemplo, terá um reajuste de 20% ao longo dos próximos três anos. Já um doutor no último estágio da categoria associado (acima da anterior) terá 30% até 2015.

A Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), entidade que também participou da negociação, adotou tom mais conciliador e disse que a oferta “acolhe” reivindicações.

“A força do nosso movimento fez com que o governo saísse da toca. Mas não tem nada fechado ainda. Apenas foi girada a roda da negociação. Agora vamos apresentar nossa contraproposta”, diz Luiz Henrique Schuch, vice-presidente do Andes.

Na sexta-feira, o governo federal apresentou uma proposta de reajuste para os professores universitários e das escolas técnicas. Para os docentes das universidades, o governo propõe aumento de até 45%.

A remuneração de um professor com doutorado e dedicação exclusiva subirá de R$ 11,7 mil para R$ 17 mil em 2015. Nos institutos federais, o percentual pode chegar a 47,7%.

Apesar das expectativas do sindicato de um novo acordo mais interessante, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse que a proposta de sexta-feira é definitiva. “Essa não é uma proposta para negociação. Essa é a proposta do governo para valorizar a educação”, afirmou.

Já quanto a reestruturação da carreira, que corresponde a uma das principais reivindicações dos docentes, a Andes afirma que a evolução de etapas proposta pelo governo não segue um padrão e que em alguns casos resulta em reajustes muito pequenos, enquanto em outros leva a reajustes maiores.

Diário do Nordeste