O anverso da medalha

O país está tomado por uma onda de greves. De ponta a ponta, trabalhadores cruzam os braços exigindo aumentos de salários e outros direitos, alguns dos quais até justos. Tem ou teve greve nas áreas dos Ministérios da Saúde, do Trabalho, da Justiça, da Agricultura e outros. Cruzaram os braços policiais civis e militares, médicos, estudantes, professores, lixeiros, aeroviários, metroviários, motoristas de ônibus, enfermeiros e um magote de outros tipos de profissionais no serviço público. Reivindicam direitos e vantagens que custariam quase R$ 100 bilhões aos combalidos e saqueados cofres da União.Os “cumpanheiros” estão vendo, pela primeira vez desde que começaram a se lambuzar com as delícias do poder, o outro lado da medalha. Mesmo sem a competência dos petistas de antanho, as lideranças dos trabalhadores de hoje mostram que aprenderam bem as técnicas de bagunçar o coreto, promover desordens e paralisar o trabalho em setores importantes da vida nacional. O governo da presidente Dilma, que, diga-se de passagem, tem praticado um petismo mais brando e educado, está colhendo os frutos do que o seu partido plantou desde a sua fundação até o governo de FHC. Quando eram oposição, os “cumpanheiros” incitavam as greves no campo e nas cidades, levando o País a uma quase situação de desordem geral. Agora o PT não é mais pedra. Virou vidraça. Dona Dilma amarga dias de turbulência que só não são piores porque as grandes centrais de trabalhadores, os sem-terra e outros contumazes promotores de desordens, cumprem mais ou menos o compromisso de bagunçar pouco em troca da dinheirama que recebem para financiar suas invasões, mas sem perturbar muito o coreto. Até a nossa dantes combativa UNE sucumbiu ao ouro do poder e nem lembra mais de que universitários têm reivindicações a apresentar ao governo. Dedica o seu tempo a tentar explicar ao TCU a farra que faz com a nossa grana. Dona Dilma já fez bagunça e até pegou em armas contra o governo. Mas era a luta contra a ditadura, em favor das liberdades, dos direitos do cidadão e da democracia. Hoje estamos empanturrados de democracia, como sonhava o general Figueiredo. O que não justifica tornar reivindicações em baderna. Há muitas formas de reivindicar sem paralisar o País.

Felizmente, para a presidente Dilma, ela não poderá dizer que “nunca na história desse País se viu tanta greve e tanta baderna”. Quem pode dizer isso é o ex-presidente José Sarney, que durante o seu governo foi aquinhoado com mais de oito mil greves, a maior parte promovida pelo PT, sob o comando do “cumpanheiro” Lula.

Dos antigos

Desligar-se do partido que o desprezou e ao mesmo tempo devolver a ele o mandato de deputado federal, Mauricio Rands, do PT de Pernambuco, mostrou que ainda existem por aí alguns petistas como os de antigamente, comprometidos com a ética. Não se deixou seduzir pelas excelências do poder, abrindo mão de um mandato que ainda duraria três anos, com 16 salários, férias de 55 dias, três dias de trabalho por semana, moradia de graça, viagens idem, além de um pacote de outras regalias e penduricalhos de fazer inveja.

Médicos

A partir de janeiro, médicos cubanos vão chegar aos montes para trabalhar no Brasil, onde já há muitos dos seus patrícios em atividades. Os primeiros 1.500 já arrumam as malas para a viagem à Pindorama. Um detalhe: o Brasil tem um médico para cada 600 habitantes, o dobro da média mundial. Mas eles praticamente não existem no Interior. Não porque não queiram trabalhar, mas porque os governos, principalmente as prefeituras, acenam com bons salários para atraí-los, mas não oferecerem as mínimas condições de trabalho para o exercício da profissão

Gastança

Para uma ideia de como andam as coisas lá pelo DNIT, basta dizer que somente para atuar num processo de levantamento de auditoria instaurado pelo Tribunal de Contas da União contra a Superintendência Regional do Departamento no Maranhão foi constituído um pelotão de nada menos que 86 advogados, recrutados em vários estados da federação. Como não devem trabalhar de graça, adivinhem quem está pagando os honorários deles.

Na frente

O Ceará continua liderando na geração de energia da força dos ventos. E ganha mais três unidades de geração eólica, que produzirão 56 mil kwa, com a instalação de 34 cataventos em Trairi, Cruz e Jijoca de Jericoacoara.

NOTAS

Pior. A grande e genial providência do governo para acabar com a corrupção que grassava no velho Departamento Nacional de Estradas de Rodagem foi extinguir o dito cujo, sem punir nenhum ladrão nem tomar de volta um centavo do monte roubado. Aí criou o DNIT para substituir o defunto corroído pela mutretagem. Pois hoje o novo DNIT tem mais processos no Tribunal de Contas da União, apontando irregularidades no emprego do dinheiro público do que o finado. A emenda saiu pior do que o soneto.

Tim, tim. Assinante da TIM foi a uma de suas lojas em Brasília para obter a segunda via da conta telefônica, que não recebera no prazo. Aproveitou para indagar sobre como poderia reclamar pelo atraso da dita cuja. A resposta bem merecia um brinde, um tim-tim: senhor só pode reclamar de fora, pelo telefone.

Diário do Nordeste