Greve nas universidades

Há quase dois meses, os professores da maioria das universidades públicas federais estão em greve. No Ceará, professores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) estão parados desde o dia 12 de junho e, na minha avaliação, as reivindicações são mais do que justas.

O principal ponto de pauta da greve é a questão da reestruturação da carreira, fazendo com que haja uma reposição das enormes perdas que os professores universitários tiveram nos últimos anos e que contribuíram para achatar seus vencimentos. Atualmente, após 35 anos de carreira na docência, no máximo um professor da UFC ganha R$ 3 mil a mais do que recebia no início de carreira.
Esse é um dado preocupante na medida em que já temos conhecimento de que a ampliação do ensino superior é uma das metas fundamentais para o desenvolvimento de qualquer nação. É necessário ainda ampliar os investimentos para melhorar a infraestrutura de nossas universidades federais.

Por isso mesmo, de maneiras diversas tenho procurado participar das discussões entre Governo Federal, Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará (ADUFC-Sindicato), Fórum dos Professores de Instituições Federais do Ensino Superior (Proifes) e demais entidades representativas dos professores, para que possamos encontrar uma solução rápida e efetiva.

Na última terça-feira, estive reunido com o ministro da Educação, Aloísio Mercadante, e com os professores Marcelino Pequeno, da ADUFC-Sindicato, e Gil Vicente, do Proifes. Na ocasião, o ministro assegurou que o Governo quer resolver essa questão e que nos próximos dias estará encaminhando a proposta de reestruturação da carreira dos professores das universidades federais.

No mesmo dia da reunião, fiz pronunciamento na tribuna da Câmara dos Deputados mais uma vez cobrando uma posição rápida do Governo. Sabemos que nos últimos anos a maioria das categorias de servidores públicos federais conquistou reajustes além da inflação. No entanto, sabemos também que essas carreiras foram tendo perdas salariais consideráveis ao longo das últimas décadas.

As negociações precisam continuar, assim como a mobilização das instituições. Estou otimista que encontraremos uma saída que contemple os professores, para que eles possam retornar o mais breve possível às salas de aula e recebam o reconhecimento de que são merecedores.

O Estado – CE