Greve das federais completa 50 dias

Greve deverá ser intensificada

Ministério do Planejamento afirma que nova reunião deve acontecer ainda em julho

Cristiane Nascimento, especial para Estadão.edu

A greve dos docentes das instituições federais começou no dia 17 de maio com a adesão de entidades filiadas ao Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN ). Nesta sexta, a paralisação completa 50 dias, com a adesão de pelo menos 56 das 59 universidades federais são afetadas pela paralisação, além de 36 institutos de educação básica, profissional e tecnológica. Servidores técnico-administrativos e estudantes também estão em greve.A última reunião entre representantes sindicais e o Ministério do Planejamento aconteceu em 12 de junho, quando o governo pediu 20 dias de trégua aos professores das federais, que negaram o pedido. Na ocasião, foi também marcado um novo encontro para o dia 19 do mesmo mês. Este, no entanto, foi adiado sem qualquer justificativa.

Em nota divulgada nesta quinta-feira, 5, o Andes afirmou, diante do silêncio do governo, que “a greve segue forte com a mobilização dos setores da educação, cada vez mais intensa, em defesa de uma universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada”. O grupo pede também que o governo restabeleça a interlocução e apresente sua proposta.

Procurado pelo Estadão.edu, o Ministério do Planejamento disse que trabalha pesado para a finalização do impasse e que, em breve, deve anunciar uma nova reunião. Segundo a assesoria da pasta, o encontro deve acontecer ainda neste mês.

“Essa situação rompe com a tradição que o governo mantinha, já há algum tempo, de diálogo com os servidores federais”, diz Eduardo Rolim, presidente do Proifes-Federação (Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior).

A principal reivindicação do movimento grevista é a reestruturação da carreira docente e, justamente por esta razão, as negociações são feitas com o Planejamento. Pela proposta do governo, rejeitada pelos professores, eles precisariam passar por 16 níveis para chegar ao topo da carreira e ainda prestar um novo concurso para ser tornar titular. A Andes, por sua vez, pede que o plano de carreira tenha 13 níveis, sendo que, para chegar a titular, o professor não necessitaria de novo concurso. O salário inicial, além disso, seria algo entre R$ 7 e 8 mil.

Protestos

Nesta semana, a presidente Dilma Rousseff enfrentou uma série de protestos organizados por estudantes e funcionários das instituições federais. Nesta sexta, 5, cerca de 50 servidores marcaram presença inauguração da Coordenação de Emergência Regional, no Leblon, zona sul do Rio. No início do pronunciamento, os manifestantes começaram a gritar, exigindo a destinação de 10% do PIB  nacional para a educação. A presidente, no entanto, não respondeu aos manifestantes.

Na quinta, 5, durante inauguração de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em São Bernardo do Campo (SP), cerca de 30 estudantes da Universidade Federal do ABC (UFABC) protestaram com palavras de ordem como “Dilma a culpa é sua, a minha aula é na rua”. Os jovens reivindicavam reivindicaram a abertura de um canal com o governo federal para que a greve fosse encerrada. “O pessoal pode acalmar que as coisas vão para os seus lugares na hora certa”, respondeu Dilma às críticas.