10%, entre o sonho e a realidade

Tive um sonho muito curioso, na noite de 26 de junho. Sonhei que assistia, pelo computador, a votação do novo texto para a meta 20 do Plano Nacional de Educação (PNE). Desde o começo o sonho parecia um tanto inusitado (não estranhei, afinal em sonhos tudo é possível); parlamentares abriam mão de suas proposições em favor de outros colegas, o que era seguido por uma generosa troca de elogios de tal forma surpreendente que uma parlamentar do DEM elogiava seu “colega” do PT e um do PSDB elogiava outro do PSOL (já não me surpreendia, afinal sabia que estava num sonho).

O momento mais inusitado do sonho foi quando o presidente da sessão colocou em voto a proposição, solicitando que os que estivessem de acordo com o novo texto saíssem de suas poltronas e, aos pulos, se juntassem à aclamação dos presentes: “Pula, sai do chão, quem defende a educação!” Não deixei de pensar na histórica votação das Diretas, já!

Nos momentos seguintes, o presidente da sessão tentava voltar à pauta, para dar continuidade aos trabalhos, sendo interrompido pelo som do hino nacional, cantado de ponta a ponta. O coro, forte, em nenhum momento titubeou (nem naquele ponto em que não se sabe bem se é “Brasil, um sonho intenso” ou “Brasil de amor eterno”); nesse momento, o computador “me sugou” para dentro da sessão e pude me ver – abraçado aos demais – cantando o hino: eu também estava lá!

Contrário ao que se costuma observar nessas circunstâncias, o presidente da sessão em nenhum momento se mostrou contrariado; na verdade, bem humorado, reclamava que durante a votação ficara com o relator na mesa diretora, não podendo partilhar da comunhão do plenário.

Ao poucos, entre abraços, a excitação foi se amainando e a sessão voltou ao seu normal; nesse momento, acordei e, pasmem, eu estava sentado à frente do meu computador, na mesa de trabalho da minha casa! Eu olhei para uma lua crescente que brilhava intensamente e pensei: “só falta o ministro da Educação reclamar da votação” e fui dormir em paz o sono daqueles que, como muitos, havia lutado por aquele momento.

Talvez vocês não devam dar ouvidos à minha narrativa, afinal foi só um sonho, não foi?

Idevaldo Bodião

idbodiao@ufc.br

Coordenador do Movimento PNE pra Valer no Ceará

O Povo