Censo mostra queda na educação pública e crescimento da rede privada

Entre 2010 e 2013, o número de matrículas em escolas particulares subiu 14%, contra uma queda de 5,8% na rede pública

O Censo da Educação Básica de 2013, divulgado na terça-feira, dia 25, mostra que a educação pública está encolhendo e a rede privada cresce ano após ano, informam os site do jornal O Globo e do IG. Entre 2010 e 2013, o número de matrículas em escolas particulares subiu 14%, passando de 7,5 milhões para 8,6 milhões. No mesmo período, as matrículas nas instituições públicas recuaram 5,8%, caindo de 43,9 milhões para 41,4 milhões.

Em 2010, havia 51,5 milhões de estudantes no ensino básico. Desse total, 85,3% eram de matrículas na rede pública. Hoje, as escolas públicas educam 82,8% das atuais 50 milhões de matrículas no ensino básico nacional.

Entre 2012 e 2013, a rede privada cresceu 3,5%. A rede pública – que inclui os colégios federais, estaduais e municipais – teve queda de 1,9% nas matrículas. Este percentual representa 790.415 alunos.

Segundo especialistas ouvidos pelo IG, 287.813 alunos migraram para a rede privada no ano passado. Já os outros 502.602 são reflexo da queda natural no número de estudantes, com a queda da população em idade escolar, e a melhora no fluxo escolar, com menos reprovação.

Em quase todas as unidades da federação, a rede pública encolheu e a privada avançou, na comparação 2010-13. Em Roraima, o número de matrículas em escolas privadas aumentou 42,6%, enquanto o ensino público cresceu 0,7%. Na Bahia, a rede privada cresceu 20,5%, contra queda de 7,8% no ensino público.

O Rio de Janeiro é o estado onde se verifica a maior perda de matrículas no ensino público: 11,8% de 2010 para 2013. No mesmo período, a rede particular aumentou 21,3%. O Acre foi o único estado onde houve retração do ensino privado (2,1%).

A maior perda de alunos da escola pública foi na rede estadual. Em 2013, 4,2% dos 18,7 milhões de estudantes matriculados em 2012 deixaram os colégios da rede. Na rede municipal, não houve alteração de alunos. Há cerca de 23 milhões de crianças estudando nos colégios municipais. A rede federal, que é pequena diante das outras, cresceu 5,2%. Em 2012, possuía 276 mil alunos e, em 2013, ultrapassou os 290 mil.

O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, disse a O Globo que o fenômeno é causado pela ascensão da nova classe média. Para ele, o movimento prejudica ainda mais as famílias de menor renda. “À medida que as famílias da classe C ganham renda, elas tiram seus filhos da escola pública, pensando que, em escolas particulares, o ensino estará garantido e terá melhor qualidade, o que nem sempre é verdade”, afirmou.

Ele disse que falta mais cobrança por parte da população. “Somente quando a população em geral começar a cobrar por um ensino público de qualidade, ao invés de concentrar investimentos no setor privado, é que o Brasil terá escolas municipais estaduais de excelência. Se os filhos da classe média e da elite estivessem matriculados em uma escola pública, talvez essas unidades seriam um pouco melhores do que são hoje”, afirmou Cara ao jornal carioca.

O professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP) Reynaldo Fernandes, ex-presidente do Inep, concorda que a melhora na renda provoca aumento na matrícula das escolas particulares. “Toda vez que a economia melhora, as matrículas na rede privada aumentam”, disse ao IG.

Para diretor-presidente da Associação Brasileira de Avaliação Educacional (Abave), Ruben Klein, a queda geral nas matrículas é um bom sinal. “Uma parte dessa queda é explicada pela questão demográfica, mas o principal é que menos estudantes estão ficando retidos nas séries. Se analisássemos a população que deveria estar matriculada no ensino fundamental ou no ensino médio, veríamos que temos muito mais matrículas do que deveríamos, porque há muitos fora da série adequada para a idade”, afirmou Klein ao IG.

CGC Comunicação em Educação