Professores lideram pedidos no IPM

Em 2011, 46% das licenças concedidas pelo Instituto de Previdência do Município (IPM) aos servidores municipais foram para professores

Uma sala de aula lotada e barulhenta. Dezenas de turmas divididas, muitas vezes, em três turnos de trabalho. Uso excessivo da voz. Pressão por resultados. Esses elementos afetam a saúde mental e física daqueles que estão nas salas de aula diariamente.

O resultado não poderia ser outro: 4.921 licenças médicas concedidas pelo Instituto de Previdência do Município (IPM) para 1.700 professores da rede pública municipal ao longo de 2011. O número representa 46% das 10.561 licenças concedidas pelo instituto. É um alerta incisivo para a saúde dos educadores da Capital.

Segundo informações da assessoria do IPM, a licença é concedida por 30 dias e, caso haja necessidade, é aprovada e renovada pela junta médica. Entre as licenças dispensadas a professores, destacam-se as 1.041 motivadas por problemas ortopédicos; as 1.040 por razões psiquiátricas; e as 849 por alterações vocais.

Ela é professora há 20 anos na Prefeitura e sabe bem o que a rotina e o estresse do cotidiano podem causar. A professora, que preferiu não ter o nome divulgado, tem problemas de coluna que interferem na qualidade de vida e dificultam as atividades no trabalho. No ano

passado, tirou licenças e ficou afastada das salas por alguns meses. Agora, está novamente licenciada para tratar as dores da coluna. A servidora municipal comentou que conhece outros colegas que também obtiveram licença e indicou que a cobrança constante é o principal motivo.

Condições de trabalho

A secretária-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Ceará (Sindiute), Gardênia Baima, sinaliza que, quando chega ao ponto de o docente retirar uma licença médica, é porque a saúde está comprometida, vez que a junta médica do IPM é muito rigorosa. Baima afirma que as condições de trabalho e a jornada, que em 2011 ainda era de 44 horas semanais, podem ser apontadas como motivadores do grande número de licenças.

O uso intenso e constante da voz é agravado por salas de aula lotadas e sem climatização e o manuseio do giz nos quadros, apontou a secretária. Além disso, água de má qualidade, professores alocados em escolas distantes do próprio bairro, assédio moral e ausência de espaço para descansar também foram apontados como problemas do cotidiano.

Gardênia Baima diz que os transtornos mais comuns entre professores sobrecarregados são depressão e síndrome de pânico. “Todas as mazelas sociais pularam o muro da escola.”

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Educação (SME) garante que, para suprir carências, conta com um quadro de 1.200 professores substitutos, contratados através de seleção pública. O número é considerado suficiente, argumenta a secretaria.

ENTENDA A NOTÍCIA

O Instituto de Previdência do Município realizou 19.415 atendimentos em 2011. A principal demanda dos servidores foi a licença médica, totalizando 10.561 pedidos. Os professores receberam 46% dessas licenças.

Serviço

Seleção pública para cadastro de reserva de professor substituto

Quando: inscrições seguem até o dia 13 de junho

Onde: o edital está disponível em http://migre.me/9pnQA

Saiba mais 

Em resposta , a Secretaria Municipal de Educação (SME) destacou que, desde 2005, a Prefeitura “tem investido maciçamente na carreira dos professores municipais”. Para suprir as necessidades que surgem ao longo do ano, a SME conta com um quadro de 1.200 professores substitutos, contratados por meio de seleção pública.

De acordo com a secretaria, “o número (de substitutos) é suficiente, visto que as licenças são concedidas em períodos diferentes do ano e os professores substitutos são deslocados de acordo com a necessidade”. Dessa forma, as aulas dos estudantes municipais estariam garantidas.

Para a secretária-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Ceará (Sindiute), Gardênia Baima, o número de professores

substitutos não garante a continuidade das aulas. Em muitas escolas, os docentes não chegam. Desse modo, os profissionais licenciados se veem obrigados a repor aulas em turnos alternativos.

Até o início do atual ano letivo, a carga-horária dos professores municipais era de 44 horas. Além da jornada nas escolas, os professores ainda levavam trabalho para casa, uma vez que, segundo eles, não há espaço para planejamento,expôs a secretária do Sindiute.

Outra reivindicação do Sindiute é o acesso a mais consultas no IPM, vez que há limite de duas por mês. “Para professores adoentados, esse número não é suficiente”.

Samaisa dos Anjos