Professores fazem ato em defesa de docente que sugeriu ‘varadas’ em aluno

Colegas pedem para ser ouvidos por instâncias maiores para garantir seus direitos

CAMPINAS – Professores da Escola Municipal José de Anchieta, em Sumaré, interior de São Paulo, fizeram uma manifestação na manhã desta quinta-feira, 28, em frente à unidade educacional para pedir melhores condições de trabalho e protestar contra a repercussão do caso da educadora do mesmo colégio que, em um bilhete enviado aos pais de um aluno, sugeriu que fossem dadas “cintadas” e “varadas” no estudante, para educá-lo.

Com cartazes e faixas, os professores pediram para ser ouvidos por instâncias maiores para garantir seus direitos. A direção da escola informou que o protesto foi feito por professores do período da manhã e as aulas não foram interrompidas.
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que, antes do protesto, o titular da pasta, Emílio Augusto, esteve com o corpo docente e se colocou à disposição para ouvir os professores. Segundo o secretário, durante as duas horas de reunião, diversos assuntos que envolvem a categoria foram abordados, mas o principal enfoque foi a repercussão do caso.

O caso 

No dia 12 de junho, o comerciante André Luis Ferreira Lima, de 29 anos, e sua esposa receberam da professora de português do filho de 12 anos um bilhete sugerindo agressão como forma de educar o estudante: “Quer conversar com o seu filho? Se a conversa não resolver.

Acho que umas cintada vai resolver. (sic) Porque não é possível que um garoto desse tamanho e idade, não consiga evitar encrecas (sic). Esqueça tudo que esses psicólogos fajutos dizem e parta para as varadas”, dizia o manuscrito.

Após procurarem a direção da escola e enviarem a psicóloga do garoto para conversar com os professores, os pais disseram não ter conseguido nenhum retorno dos educadores e, então, enviaram o bilhete à afiliada da Rede Globo em Campinas.

Segundo Lima, o filho – em tratamento após passar por diversos médicos por problemas de déficit de aprendizado – sofre bullying há ao menos dois anos. A Prefeitura afastou a professora temporariamente, abriu sindicância para apurar o caso e informou que o bilhete foi encaminhado aos pais sem consentimento da direção da escola. Também informou que ofereceu acompanhamento psicológico para a educadora.

Tatiana Fávaro / Agência Estado