O ensino público que dá bons resultados

Hellen Belarmino, 17, estudou durante sete anos no CMCB. Com a formação, foi aprovada em cinco vestibulares
Hellen Belarmino, 17, estudou durante sete anos no CMCB. Com a formação, foi aprovada em cinco vestibulares

Inseridos na rede pública de ensino, mas separados das demais instituições por resultados. Assim são os colégios ligados a instituições militares. Com seleções concorridas, no Ceará costumam despontar em avaliações e rankings

Disciplina. As dez letras alinhadas no papel indicam muito mais que “obediência à autoridade”, como escreve o dicionário. Disciplina é ingrediente de uma fórmula de sucesso. Está presente no cotidiano e no método de ensino de colégios que, apesar de públicos, costumam figurar no topo de rankings de desempenho estudantil: os colégios ligados a instituições militares.

No Ceará, os colégios Militar do Corpo de Bombeiros (CMCB) Escritora Rachel de Queiroz, da Polícia Militar General Edgard Facó (CPMGEF) e Militar de Fortaleza (CMF) superam (e muito) as médias do Estado no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2012, por exemplo. Os dois primeiros, da rede estadual, tiveram os melhores resultados do Ceará no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011. Além disso, costumam ter alunos aprovados em difíceis vestibulares, premiados em olimpíadas escolares, reconhecidos em prêmios. Chamam atenção por ganharem notas altas enquanto as instituições “colegas de rede” amargam baixos índices. O que faz essas escolas públicas darem certo?

 

Além da disciplina, gestão e professores comprometidos, alunos interessados, estrutura adequada e acompanhamento pedagógico são elementos apontados como fundamentais para que as “vitórias” dos alunos aconteçam. A presença da família no ambiente escolar também.

Ainda há, como lembra a professora e diretora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), Maria Isabel Filgueiras Lima Ciasca, um processo seletivo para ingresso nas escolas militares. Isso é “determinante” para os bons resultados, pondera. São estudantes, lembra a professora, “que se preparam, fazem prova rigorosa. Porque o número de vagas é bem menor que a demanda. Assim, você vai acabar selecionando os melhores alunos. Você parte de um patamar mais elevado”. A valorização dos docentes também é citada como importante por Isabel.

O que os alunos dizem

Hellen Belarmino do Prado tem 17 anos e estudou durante sete anos no CMCB. Com a formação, foi aprovada em cinco vestibulares. Começa neste mês a cursar Direito na UFC. Rodrigo Rocha é advogado, tem 29 anos e cursou o ensino médio no CMF. Apesar de serem ex-alunos de diferentes colégios, Hellen e Rodrigo compartilham o reconhecimento pela importância que o local de estudos teve na vida. Rodrigo vê na disciplina e na relação escola-alunos grandes diferenciais. “Em colégios particulares você é tratado como produto. Lá (no CMF) é tratado como pessoa”, diz. “Lá (no CMCB) os professores são de ótima qualidade”, elogia Hellen.

 

A família de Laís Nuto Rossman, 12, sabia desses elogios e da qualidade dos militares. Por isso, quando a menina não passou para o 6º ano na seleção 2013 do CMF, decidiu-se que ela continuaria no colégio particular e estudaria para, neste ano, ingressar no Militar. E deu certo. Foi aprovada (em primeiro lugar) e agora cursa (novamente) o 6º ano – algo comum entre os alunos do Militar. As chances de “ter resultados melhores no futuro” motivaram a escolha (inclusive pelo repeteco de uma série), que é comemorada pela aluna – que quer ser arquiteta. “Queria vir pra cá porque o ensino é de excelência e está melhor do que eu esperava.”

Serviço

Os colégios costumam abrir seleção para novos alunos no segundo semestre:

Colégio Militar de Fortaleza

Endereço: av. Santos Dumont, 485, Centro

Site: www.cmf.ensino. eb.br

Colégio Militar do Corpo de Bombeiros

Endereço: rua Adriano Martins, 436, Jacarecanga

Site: www.cm.cb.ce. gov.br

Colégio da Polícia Militar

Endereço: avenida Mister Hull, s/n, Antônio Bezerra

Telefone: 3101 4737

Saiba mais

A seleção para os colégios militares acontece uma vez por ano e é muito concorrida. Participam apenas filhos de civis. Os dependentes de militares têm vaga garantida.

No CMF, para 2014, foram ofertadas 60 vagas (45 para o 6º ano e 15 para o 1º do ensino médio). Mais de mil candidatos se inscreveram.

Apesar de públicos, os colégios cobram taxas mensais dos alunos – também chamadas “contribuições”. A cobrada pelo CMF está prevista no Regulamento dos Colégios Militares. Na rede estadual, a cobrança está prevista na lei nº 12.999/2000, que instituiu a criação dos colégios da Polícia Militar e dos Bombeiros.

Mariana Lazari – marianalazari@opovo.com.br

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