No Dia do Professor, profissionais pedem melhorias na educação

No Dia do Professor, comemorado nesta terça-feira (15), dois atos públicos foram realizados pedindo melhores condições para os trabalhadores da educação.

O primeiro ato foi realizado em frente à sede do Governo do Estado, bairro da Compensa, zona Oeste, e outro foi realizado na Bola do Produtor, na zona leste de Manaus. Os dois atos tiveram pouca adesão dos professores.

Em frente à sede do Governo, professores e estudantes que reivindicavam questões como reajuste salarial, o não pagamento da Hora de Trabalho Pedagógico (HTP), a falta de estrutura para os profissionais e alunos, entre outras reivindicações.

“Para comemorar temos muito pouco. Temos mais reivindicações, desafios, muita luta pela frente. Nossas autoridades têm sido insensíveis para com a causa da educação. Nos tratam de forma sucateada. A questão do salário ainda pesa bastante, mas melhores condições de trabalho e direitos ainda são negados, como o HTP, respaldado por uma lei federal e ninguém leva a sério”, destacou o professor Gerson Priante.

A professora de Geografia, Caroline Cruz, afirmou que o há para se comemorar é a escolha da profissão. “Escolhemos e estamos lutando sempre em busca de melhorias. Não temos o que comemorar no dia a dia em sala de aula, o descaso, o desrespeito, tanto dos alunos como da gestão. A questão salarial já se bate há muito tempo e a gente sabe do valor do que é ser professor. Dizem que os insatisfeitos que mudem de profissão, mas eu digo que não! Escolhi essa profissão e vou lutar para melhorá-la”, disse.

O coordenador de comunicação da Associação Movimento de Luta dos Professores de Manaus (Asprom), Lambert Melo, informou que as ações de hoje serão finalizadas com uma audiência com os deputados estaduais na Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas pela parte da tarde. “Vamos reivindicar a revisão imediata do nosso plano de cargos, carreiras e salários, que está defasado há anos. No caso da Seduc, já são 10 anos de defasagem e nenhuma revisão foi feita até agora. Estamos aproveitando o Dia do professor para dizer que não temos nada a comemorar. Nossa carreira continua desvalorizada, nossos salários continuam achatados, as condições continuam péssimas, salas lotadas, falta de segurança”, explicou.

O Coletivo Tucandeira, de estudantes, também esteve presente no ato em apoio aos professores e a educação. O estudante Israel Pinheiro destacou o apoio a melhoria da educação pública. “Queremos romper com o processo de educação somente voltado para o mercado, para produzir diploma, em detrimento de uma educação que possa melhorar o ser humano. Além de ser um dia de comemoração, deveria ser um dia de reflexão do papel do professor dentro de uma sociedade de exploração”.

Paralelo ao ato, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam) esteve na Bola do Produtor, Zona Leste. Conforme Marcus Libório, presidente do Sinteam, a zona foi escolhida por que ser que mais precisa de atenção. “Está é a zona que mais sofre, por falta de estrutura, não há creches. Temos lutado pela classe de professores também. Atualmente conseguimos extinguir a avaliação de desempenho e hoje mais de 17 mil professores foram beneficiados, sem precisar se submeter à provas”, disse.

Libório destacou ainda que outras recursos foram dados aos professores e há uma luta do sindicato pelo cumprimento das leis educacionais. “A lei do piso e do Fundeb são esquecidas pelos gestores públicos, principalmente no interior do Amazonas. Em Itapiranga, há denúncias de professores que estão ganhando um salário minimo, com o piso de 20h. Dinheiro tem, o que falta é prioridade para a educação”.

Em nota, a Prefeitura de Manaus, informou que todas as reivindicações recebidas foram protocoladas e serão encaminhadas à Secretaria Municipal de Governo (Semgov) para serem analisadas e discutidas junto à Secretaria Municipal de Educação (Semed).