MAIORIA DOS BRASILEIROS ACREDITA EM EDUCAÇÃO INTEGRAL, MOSTRA PESQUISA.

O ensino em período integral é aprovado pela maioria dos brasileiros, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha, em parceria com a Fundação Itaú Social. O trabalho, divulgado em 19 de setembro, investigou a abrangência do conhecimento da população brasileira sobre Educação Integral. Foram ouvidas 2 060 pessoas de 132 municípios brasileiros.

Os dados revelaram que, para 90% dos brasileiros, a Educação Integral é importante para o futuro das novas gerações.
A pesquisa também revelou que na percepção da população a Educação Integral está associada ao aumento de carga horária do estudante na escola e também a atividades extracurriculares. “A população entende a Educação Integral para além do tempo e fala também de alterações curriculares”, destaca Patrícia Mota Guedes, gerente de Educação na Fundação Itaú Social.

A melhora do nível de Educação da criança e do adolescente e a ocupação do tempo livre são as duas principais características destacadas pelos entrevistados. No entanto, representantes das classes C, D e E destacaram a importância da permanência integral na escola como medida para evitar a criminalidade, a violência e o consumo de drogas; enquanto os respondentes das classes A e B observaram que a longa permanência das crianças e adolescentes libera mais tempo aos pais.

“Não dá para ficar no discurso de que as famílias economicamente desfavorecidas querem utilizar a escola integral como depósito para os filhos. A pesquisa revela que essa classe acredita mais na aprendizagem”, argumenta Patrícia.

Desafios
A pesquisa também constatou que um terço da população nunca ouviu falar em Educação Integral. A gerente do Datafolha, Marlene Treuk, destacou que um dos desafios a serem enfrentados pelos formadores de política pública é expandir o conhecimento sobre Educação Integral.

Outros pontos de atenção em relação à implantação dessa modalidade foram revelados por uma minoria dos pesquisados. Entre as questões levantadas estão: o cansaço que o horário letivo estendido causaria aos alunos, a necessidade de tempo com a família e a má qualidade do ensino público. “Essa minoria de 10% tem que ser ouvida para que os gestores de políticas públicas possam avaliar as possíveis dificuldades na implantação do Ensino Integral. Funcionam como sinal de alerta”, explicou Patrícia.

Modalidades
Cerca de 70% dos entrevistados consideraram importantes as diversas modalidades de Educação Integral, incluindo as parcerias com ONGs e igrejas. “Não existe um modelo único”, ressaltou Antonio Bresolin, coordenador de avaliação da Fundação Itaú Social.

Para Patrícia, existem diversos modelos exitosos por todo país e, segundo ela, o ideal é a articulação entre eles para atender a heterogeneidade social e econômica da população brasileira. Ela destaca que, seja qual for a modalidade, a Educação Integral não pode se resumir apenas a mais tempo na escola. “Educação Integral é a ampliação de tempo, mas também de espaço e conteúdo de aprendizagem. Não pode ser um apenas um reforço escolar”, enfatizou.
FONTE: todospelaeducacao.org.br