Pacote bilionário é paliativo, segundo especialistas

Lançado pelo Governo Federal, o PAC Equipamentos é o novo conjunto de medidas de incentivo à economia. Representantes da indústria, do comércio e economistas não acreditam que o pacote alavanque o PIB brasileiro

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que o Governo Federal vai gastar R$ 8,43 bilhões em compras governamentais para estimular a economia brasileira. Mas, bem diferente do otimismo do Governo, representantes da indústria, do comércio e economistas entrevistados não apostam todas as fichas no pacote.

Ao novo conjunto de incetivos dá-se o nome de PAC Equipamentos. Esse pacote bilionário de compras governamentais dará preferência às empresas nacionais no fornecimento de caminhões, tratores, retroescavadeiras, ônibus e móveis escolares e até tanques blindados e veículos lançadores de mísseis.

Parte do montante que será gasto pelo Governo no PAC Equipamentos já estava prevista no Orçamento de 2012. Para chegar aos pouco mais de R$ 8,43 bilhões previstos para as compras de equipamentos, serão liberados R$ 6,611 bilhões adicionais por meio de Medida Provisória, segundo informações do ministro Guido Mantega.

“Com isso, o PAC total de 2012 subirá de R$ 42,6 bilhões para R$ 51 bilhões. É o maior PAC que já fizemos e vamos procurar implementá-lo integralmente”, disse o ministro. As compras serão concentradas no 2º semestre de 2012.

Medida pontual

Apesar das garantias do Governo, o setor privado não aposta em efeitos grandiosos do PAC Equipamentos para alavancar o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil neste ano. As projeções de crescimento do PIB são cada vez mais baixas. Já caíram de 4,5%, no começo do ano, para 2,5% neste mês.

“A longo prazo essas medidas podem estimular a economia, sendo uma tentativa de melhorar a infraestrutura do País. Entretanto, o PIB deve fechar no máximo em 2,5%”, afirma o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Samy Dana. Para ele, uma expansão nesse patamar é muito baixa para um país com as dimensões do Brasil. “É preciso mais investimentos em educação e infraestrutura”, diz.

O professor da Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Ceará (Caen/UFC), Almir Bittencourt, também defende que a saída para crise econômica que se antevê são os investimentos em infraestrutura física. “Não tenho dúvidas dos efeitos positivos da compra de equipamentos à indústria, mas são investimentos dispersos”.

Presidente do Sindicato do Comércio Varejista e Lojista de Fortaleza (Sindilojas), Cid Alves defende que todo pacote para alavancar a economia é positivo, mas critica a “maneira circunstanciada” que o Governo tem de atuar. “Quando existe dificuldade em determinado setor econômico, ele (Governo) vai lá, pontualmente, e resolve. Isso não garante um desenvolvimento sustentável ao País”, afirma.

O professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, concorda. Diz que o Governo tem atuado com medidas pontuais, paliativas, quando deveria colocar em prática plano consistente de desenvolvimento.

“Precisamos de um plano de curto, médio e longo prazos que esteja focado em inovações como a biotecnologia e os combustíveis renováveis e que envolva mudanças nos sistemas fiscais, tributários e trabalhistas”, explica. (com agências)

Por quê

ENTENDA A NOTÍCIA

De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a compra de equipamentos é importante para enfrentar problemas ambientais, ampliar a capacidade produtiva da economia e aumentar os investimentos.

Número

8%
É o aumento na produção industrial no segundo semestre, diz a Fecomércio-SP

SERVIÇO

Pacote de medidas do Governo Federal

Site: http://www.fazenda.gov.br/

Saiba mais

Esse é o 8º grande pacote anunciado pelo Governo para conter os efeitos da crise que recaiu sobre o mundo mais fortemente, nos últimos dois anos.

“A Europa e os Estados Unidos não estão conseguindo retornar ao padrão de crescimento anterior à crise. Índia e China, que é o maior comprador das commodities brasileiras, também estão reduzindo a expansão econômica”, afirma o professor do Caen/UFC, Almir Bittencourt. Segundo ele, o mundo todo está em processo de desaceleração e o Brasil faz parte do bolo.

A expansão de crédito que alimenta o consumo do brasileiro chegou a 50% do PIB do País e já caminha para um esgotamento. A população está extremamente endividada.

O professor da Trevisan, Alcides Leite,afirma que não há a menor condição de reverter essa situação com pacotes pontuais. “O Governo espera que a situação mundial se altere. Enquanto isso, eles vão enrolando. Não tem plano que mude estruturalmente a situação”, lamenta.

Luar Maria Brandão
O Povo