Escolas serão mapeadas para evitar a violência

Haverá também a ampliação dos sistemas de monitoramento dentro dos colégios da rede municipal

Diante do cenário de insegurança no qual estão inseridas as escolas da rede pública de Fortaleza, o titular da Secretaria Municipal de Educação (SME), Ivo Gomes, garantiu que está trabalhando em medidas para conter o problema, levantado em matéria publicada na edição de quarta-feira (24) do Diário do Nordeste. A declaração foi feita, ontem, durante a inauguração do Centro de Educação Infantil no bairro Canindezinho.

Em diversos colégios da rede municipal, alunos de todas as idades têm se afastado das salas de aula devido à falta de segurança. A SME garante que as providências já estão sendo tomadas para proteger os estudantes FOTO: JL ROSA

Uma das ações pontuadas pelo secretário é o mapeamento das instituições na Cidade cujos entornos são mais vulneráveis à violência. Segundo ele, o documento já está pronto e será encaminhado em breve aos órgãos de segurança do Município e do Estado para tomarem as providências necessárias com foco na proteção dos estudantes. Outra medida é a ampliação dos sistemas internos de monitoramento dentro das escolas com o objetivo de coibir a ocorrência de crimes e ameaças aos alunos.

Ivo Gomes frisou, no entanto, que o papel da escola é ensinar, e não criar políticas de segurança pública. De acordo com o secretário, as instituições já possuem guarda patrimonial e cabe à Secretaria focar-se nas causas da vulnerabilidade à qual elas estão expostas.

“Muitas crianças e jovens abandonaram os estudos porque a escola não era interessante, e acabaram sendo capturados pela droga, pelo álcool, pela violência. Nossa função é fechar a torneira aberta, que é a educação de má qualidade. Outras entidades precisam fazer a política de enxugamento do chão”, destaca o gestor municipal.

Insegurança

Como mostrou o Diário do Nordeste ontem, pelo menos 270 alunos estão se afastando das escolas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) por conta do medo. Depois que muitos estudantes foram remanejados para unidades em bairros diferentes, muito deles preferiram deixar as aulas a se arriscarem por regiões perigosas de Fortaleza, onde o tráfico de drogas e as brigas de gangue são ameaças constantes.

A situação não se limita apenas aos alunos das turmas de educação continuada. Crianças e adolescentes dos ensinos fundamental e médio da rede pública de ensino também precisam lidar com a violência que cerca as escolas. A doméstica Cleia Ferreira, por exemplo, é ex-moradora do bairro Bom Jardim e conta que mudou-se devido à insegurança que amedrontava seus cinco filhos na antiga vizinhança.

“Ficava muito preocupada. No colégio onde meus filhos estudavam, já pularam o muro para assaltar os alunos. Tinha muita briga por perto e até já jogaram pedra na escola. Por causa disso, eu preferia ir deixar e buscar as crianças no colégio, porque era menos perigoso”, relata Cleia. Agora, residente no Canindezinho, ela afirma que o clima é mais tranquilo.

Entretanto, muitas pessoas que vivem na área afirmam que a própria comunidade precisou tomar atitudes para impedir que as escolas virassem alvo de criminosos. A representante da associação de moradores do bairro, Conceição Serafim, afirma que assaltantes já chegaram a entrar em uma das instituições públicas do local, mas foram contidos pelos vizinhos. “Invadiram a quadra e só não aconteceu nada porque nós estamos sempre alertas. Ainda assim, ficamos muito preocupados com nossos filhos”, diz.

A reportagem contatou a Polícia Militar, mas não obteve resposta sobre a situação.

VANESSA MADEIRA
ESPECIAL PARA CIDADE

Diário do Nordeste