Editorial: Diretores de escolas municipais: opção tecnocrática

“Os alunos precisam de educadores qualificados e vocacionados para a atividade”, afirma jornal

Fonte: O Povo (CE)

A Câmara Municipal de Fortaleza aprovou o projeto que retira a possibilidade de escolha dos diretores de Escolas municipais pela comunidade Escolar e depois da prévia seleção dos candidatos por critério técnico, como reivindicavam setores ponderáveis da sociedade. A opção tecnocrática (autoritária) é um equívoco lamentável.

Já era hora de mudar os critérios de nomeação de diretores para as unidades de Ensino municipais. O sistema anterior, baseado na indicação feita por próceres políticos, revelou-se extremamente danosa para os interesses da Educação, pois terminaram sendo usados como moeda eleitoral, com graves prejuízos para o interesse público. Desse modo, o critério de pré-seleção técnica é a forma de não criar condições para tirar de foco o objetivo perseguido: formar Alunos com sólida base de Ensino que lhes permita galgar outros degraus do campo do conhecimento.

Para que tenham isso, os Alunos precisam de Educadores igualmente qualificados, vocacionados para a atividade e comprometidos com sua função. Nesse caso, a formação técnica é uma pré-condição indispensável. Os profissionais devem ser munidos das ferramentas pedagógicas e (no caso dos diretores) técnico-administrativas requeridas para o bom exercício da função. Mas, como se trata da formação de seres humanos, o critério técnico, apesar de ser imprescindível, exige como complemento a capacidade de liderança, pois o diretor tem de ser um mobilizador da comunidade Escolar, um agente motivador, dotado de laços marcantes com seus liderados. E a condição para isso é a legitimidade democrática. Esta advém por meio da escolha do diretor pela própria comunidade Escolar, dentre os candidatos pré-selecionados por critério técnico.

Ou seja: o critério misto de seleção (qualificação técnica e legitimidade democrática) é o mais indicado para se garantir o salto de qualidade almejado por todos. No âmbito do governo estadual, isso já acontece. O próprio prefeito Roberto Cláudio, quando candidato, colocou a eleição direta dos diretores como parte de seu programa para a área educacional. E, provavelmente, houve quem votasse nele por isso. A virada tecnocrática, de última hora, não ajuda na criação do clima de distensão necessário na área. É uma pena.