Mercadante diz que Brasil está longe de pagar bons salários a professores

mercadanteFelippe Constancio, do R7

Aloizio Mercadante durante o encontro com empresários do Lide (Grupo de Líderes Empresariais)

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse durante o encontro com empresários do Lide (Grupo de Líderes Empresariais) nesta segunda-feira (8) que o Brasil está longe de pagar bons salários aos professores da rede pública.

Segundo ele, o País também enfrenta uma carência do profissional que prejudica a meta de educação integral no ensino fundamental.

— Estamos longe de pagar bons salários. Só com o aumento do piso, muitos municípios não conseguem acompanhar. Em segundo lugar, nós precisamos de escola em tempo integral.
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Em almoço com executivos da área de ensino, Mercadante disse que o País tem como grande desafio a combinação da expansão da educação com maior padrão de qualidade.

— Não basta a universalização do ensino, são necessários estímulos pedagógicos adequados. Para isso, aumentamos a merenda escolar no ano passado. Sem alimentação, não há desempenho pleno, por exemplo.

Mas o foco do MEC (Ministério da Educação) para atingir as metas de qualidade de ensino e tempo de alfabetização está na formação de professores. Para isso, “a participação de empresários que puderem investir na capacitação de profissionais é muito bem-vinda”, segundo o ministro.

Educação infantil

A tática do MEC para ampliar a universalização da educação infantil com qualidade vai além da contratação de professores, frisou o ministro. O governo federal, além do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação ), também dá 50% a mais de bolsa família como estímulo para que as crianças estudem, segundo ele.

Contudo, o sistema de ensino infantil é ancorado pela velocidade da construção de creches, lembrou Mercadante.

Segundo ele, o governo busca deve acelerar a construção de escolas, uma vez que as licitações das obras levam cerca de seis meses para serem concluídas. Já a fase da construção, a espera é de aproximadamente um ano e meio.

— Temos 5.688 creches em construção atualmente e mais de três mil ainda na espera.

Sem escolas prontas e sem professores, o Brasil se vê longe do ensino integral.

— Estamos longe de alcançar essa perspectiva porque não há estrutura possível ainda para atingir o tempo de oito horas.

Ensino médio

O maior desafio do País na área educacional, porém, está no ensino médio, que depende dos governos estaduais, lembrou Mercadante.

Um dos principais problemas da etapa de ensino é a defasagem de alunos, e por isso o governo federal trabalha com os secretários estaduais para elaborar práticas que incentivem a retomada da educação de quem sai da escola.

Aos que ainda estão na sala de aula, o MEC foca no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e no ensino de matemática e português para aprimorar a qualidade de ensino.

— O que o aluno quer hoje é passar no Enem. Ele é a porta de entrada para um futuro melhor.

Para o ministro, o exame é um incentivo ao estudante que visa uma bolsa.

Tecnologia

Tanto para o ensino infantil quanto para o médio, o governo federal traça metas de ampliação do uso de tecnologia em sala de aula. Entre elas, e encomenda de tablets para um em classe é uma das principais prioridades.

— Mas o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo teria que pagar muito caro pelo material que encomendamos, por exemplo. Independentemente do modelo, ele pagaria caro por conta da demanda.

O ministro informou que os equipamentos eletrônicos já vêm com conteúdo pedagógico e todos os livros em formato PDF. Para a utilização do material em aula, o professor terá um projetor digital para criar o ambiente tecnológico compatível à dinâmica de aprendizado da geração.

— A lousa é importante, mas é do século 18.