Prefeito quer a votação hoje

O líder do Governo na Câmara, Evaldo Lima, afirmou que o prefeito conversou em particular com alguns vereadores sobre a importância da matéria FOTO: JOSÉ LEOMAR

Após retirar de pauta na primeira tentativa de votação, na última quinta-feira, a liderança do prefeito Roberto Cláudio vai tentar aprovar, hoje, na Câmara Municipal, a proposta de emenda à Lei Orgânica de Fortaleza, com mudança no sistema de escolha dos diretores das escolas municipais. Uma emenda do vereador Walter Cavalcante, aceita pelo Governo, restringe a seleção a profissionais da rede pública de ensino. A matéria, para ser aprovada, precisa de 29 votos favoráveis, 2/3 do total de parlamentares, para ser aprovado.

O prefeito Roberto Cláudio orientou a sua liderança na Câmara a votar hoje essa matéria. Ele quer saber quem realmente está na base do Governo. Quem votar contra vai ser considerado como realmente de oposição. Todos os vereadores já foram cientificados dessa posição dele. 

A mensagem estava na pauta de votação na Casa na última quinta-feira, mas foi retirada a pedido do líder, vereador Evaldo Lima (PCdoB). Evaldo pediu que a matéria fosse retirada de pauta por um prazo de 24 horas e também solicitou que a sessão fosse levantada por 10 minutos, para que articulasse o direcionamento da base governista em relação ao projeto, que mostrou sinais de desalinhamento.

Articulação

“Durante a sessão da semana passada, a gente avaliou que não estava estabelecido consenso. Eu tentei interromper a sessão para fazer uma articulação política, mas não foi possível, já que foram apresentados argumentos de que a atitude não atendia ao Regimento da Casa”, afirmou o parlamentar. O pedido do vereador sofreu questionamentos da oposição e a votação da matéria acabou sendo adiada para esta semana.

Segundo o líder governista, após a polêmica em plenário na semana passada, ele mesmo tentou fazer uma articulação política entre os vereadores da base aliada nos dias seguintes, colocando a importância da matéria para a educação municipal e pedindo consenso entre a base governista. “Destacamos a importância da seleção pública, fundamentada no mérito e em critérios puramente técnicos, livrando a educação de inferências políticas”, declarou.

O projeto do Executivo propõe, para a escolha de diretores das escolas públicas do município, seleção pública entre profissionais de nível superior com experiência mínima de dois anos de efetivo exercício do magistério. O presidente da Câmara, Walter Cavalcante (PMDB), que também pertence à base do Governo, apresentou emenda ao projeto que restringe a seleção aos servidores públicos municipais. A emenda teve parecer favorável do vereador Evaldo Lima, que foi relator da matéria na Comissão Especial, e depende da aprovação em plenário.

Sobre a divergência entre os vereadores da base aliada, o líder governista afirmou que está avaliando o cenário da Casa e o grupo está tentando alinhar-se em relação ao assunto. Para o vereador, as divergências sobre a matéria dizem respeito às diferentes opiniões sobre qual seja o melhor encaminhamento para a seleção de diretores nas escolas municipais. “A informação que eu tenho é que há divergência em relação à natureza da matéria. Eu quero acreditar que a questão fundamental seja essa. Se há outros interesses, chantagem ou pressão política, eu desconheço”, alegou.

Evaldo Lima disse que o chefe do Executivo municipal conversou com alguns parlamentares da base aliada, entre eles o próprio líder governista, além dos vereadores Didi Mangueira (PDT) e Cláudia Gomes (PTC), vice-líderes.

De acordo com Evaldo, o prefeito argumentou com os aliados sobre a importância da iniciativa. “É um projeto estratégico para a educação, eu espero que a Câmara tenha sensibilidade para compreender e aprová-lo”.

A proposta enfrenta questionamentos. Entre os que se manifestaram, alguns defendem mecanismos de seleção diferentes do sugerido. O petista Acrísio Sena, por exemplo, defende que a seleção ocorra somente entre os profissionais do quadro do magistério municipal.

Diário do Nordeste