Escola em Fortaleza é suspeita de distribuir livros com teor homofóbico

Figuras de apostila explicam um assunto de física sobre atração e repulsão.
A ilustração remeteria a conteúdo contra a união de pessoas do mesmo sexo.

Figuras de meninos e meninas ilustram um princípio básico da física: os pólos opostos se atraem e os iguais se repelem. Uma ilustração com esta representação está em uma apostila distribuída a alunos do ensino médio de uma escola particular de Fortaleza.

Segundo a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), as imagens ofenderam um aluno do colégio, que pediu providências, mas não quer ser identificado. “A partir desse processo, dessa denúncia e do material em si, a gente visualiza como é a vida do sujeito LGBT nessa escola, já que a reprodução desse material já traz essas questões”, avalia Deidiane Souza, secretária adjunta da ABGLT.

A Associação encaminhou a denúncia a duas instituições: o Ministério da Educação e o Ministério Público Estadual, que vão analisar a apostila. Todo o conteúdo foi elaborado pelo próprio colégio.
Segundo o diretor da escola, Tales de Sá Cavalcante, não houve nenhuma intenção de fazer referência ao homossexualismo: “Nós temos perto de cinco mil estudantes que pegam nessas apostilas. Nenhum deles observou isso e este dito estudante, que teria observado, até hoje não apareceu. Ninguém sabe quem é”.

Para a doutora em educação, Guacira Lopes Louro, que analisou o conteúdo da apostila, a escola não deveria ter usado figuras de pessoas de ambos os sexos para explicar a atração e a repulsão. “Como a imagem utiliza justamente figuras humanas, está se dizendo, ao mesmo tempo, que entre pessoas do mesmo sexo não pode haver atração. Quer dizer, eu posso interpretar sim uma pretensão de que a heterossexualidade é a única forma de viver a sexualidade”, afirma.

Jornal Hoje