Câmara aprova medida que estabelece meta para alfabetização

O programa criado pelo governo estabeleceu como meta alfabetizar todas as crianças no máximo até os 8 anos de idade no ensino público.

O Brasil estabeleceu como meta alfabetizar todas as crianças no máximo até os 8 anos de idade no ensino público. O programa que criou essas metas tem recebido elogios, mas nas escolas particulares, os alunos já conseguem ler e escrever mais cedo.

A medida já foi aprovada na Câmara dos Deputados. Só que, para muitos educadores, a meta poderia ser um pouco mais ambiciosa, já que vai mexer com a vida de oito milhões de estudantes.

Em média, 15% das crianças não aprendem a ler e escrever até os 8 anos no Brasil. O governo espera que, com o pacto, o país avance na alfabetização. Deputados defenderam que o corte é uma meta realista, que pode ser cumprida até pelas regiões mais pobres.

Um momento importante, quase mágico. Juntar letras, palavras e começar a ler e escrever. Mas o processo não é sempre simples.

Para um estudante da rede pública de Alagoas, que tem 9 anos, ler ainda é um desafio. Já em Brasília, muitos alunos de escolas públicas são alfabetizados entre seis e sete anos.

De acordo com o último censo do IBGE, 15% das crianças brasileiras chegam aos 8 anos sem saber ler ou escrever. No Paraná, o índice cai para menos de 5%. Em Alagoas, chega a 35%.

O Governo Federal reconhece as diferenças na qualidade do ensino, principalmente entre escolas da rede pública. Criou um programa para incentivar a alfabetização até os 8 anos.

Em uma parceria com estados e municípios, vai distribuir material didático e oferecer cursos de capacitação para professores. A proposta é alfabetizar oito milhões de estudantes nos três primeiros anos do ensino fundamental.

Especialistas criticam a meta do governo de alfabetizar os alunos até os 8 anos. Dizem que isso pode aumentar ainda mais a distância que já existe entre os estudantes da rede pública e particular.

“Quase 100% dos alunos da escola privada hoje se alfabetizam aos 6 anos. Quando eu olho para a base eu sou condescendente e digo: ‘Você pode ser alfabetizado aos 8 enquanto ele vai ser alfabetizado aos 7’, eu estou tirando a oportunidade”, afirma Paula Louzano, educadora.

O ministro da Educação diz que a meta é a possível, já que em estados como Alagoas, Maranhão e Pará, de cada três alunos um não aprende a ler nem escrever até os 8 anos. “A meta realista, pactuada com todos os secretários, que todos compreendem que é bastante razoável, é até 8. Quem puder fazer com 7, ótimo. Se puder fazer com 6, tanto melhor. Mas todos terão que fazer no máximo até 8 anos de idade”, afirma Aloizio Mercadante.

Ainda segundo o projeto, o governo vai fazer uma avaliação para verificar o nível de aprendizado das crianças, com uma prova aos sete e depois aos oito anos de idade para que a escola possa identificar os alunos que precisam de mais atenção. A medida ainda precisa ser votada no Senado.

Bom Dia Brasil