Escolas avançam nos índices do Enem, mas evasão é de 17 mil

SARA OLIVEIRA
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O Ceará possui 502 escolas públicas de Ensino Médio e 92 escolas estaduais de Educação Profissional (EEPs), onde estudam cerca de 514 mil alunos. Com base no desempenho de 15,8% destes estudantes, que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2011, uma pesquisa destacou a 4ª posição do Estado quanto à participação e a 19ª em relação à nota média no Exame. O cenário estadual sobre os últimos anos da Educação Básica exibe, ainda, a redução de 17 mil alunos matriculados nos últimos dois anos e o desempenho positivo das EEps.

De acordo com dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), as três primeiras colocações cearenses ficaram, respectivamente, por conta do Colégio da Polícia Militar do Ceará, 2º do Nordeste e 49º no Brasil; Colégio Militar do Corpo de Bombeiros, 4º no ranking nordestino e 70º nacionalmente; e Colégio Estadual Justiniano de Serpa, 11º na região e 240º no Brasil. Entre as 50 melhores escolas, apenas 15 não são EEp e, conforme informações da pesquisa, se as notas consideradas fossem apenas referentes às escolas não profissionalizantes, a colocação do Estado seria a penúltima, atrás apenas do Maranhão.

Entre as 10 escolas cearenses com melhores resultados, quatro são do Interior (Horizonte, Itapagé, Russas e Acopiara). A maior participação de alunos de escolas públicas no Exame, de 2,78% em 2009 para 8,89% em 2011, significou a 3ª maior variação do Brasil no período. Conforme informações da pesquisa, é possível identificar que o maior número de estudantes, que fazem o Enem, implica em um menor retorno em termos de desempenho, considerando os alto e baixo desempenhos.

ESCOLA INTEGRAL E EVASÃO
A única escola não profissionalizante do ranking, que não é administrada por corporações militares, o Colégio Justiniano de Serpa, desenvolve sistema pedagógico em tempo integral, das 7h às 17horas.  Essa é uma das razões, de acordo com a coordenadora da instituição, Silvana Farias, responsável pelos bons resultados da instituição.

“Temos um currículo ampliado e, como os alunos passam o dia aqui, fica mais fácil identificar suas maiores defasagens”, avaliou a coordenadora.
Esta realidade, entretanto, ainda não contempla a maioria das escolas de Ensino Médio de Fortaleza e pode resultar em maior evasão escolar. Em 2011, o número de alunos matriculados nesta modalidade escolar era de 361 mil, passando para 344 mil em 2012, uma redução de aproximadamente 17 mil alunos. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) indicou que, sobre as novas matrículas, o número caiu de 84 mil para 77 mil entre os dois anos.

ANÁLISE DE ESPECIALISTA
Um sistema de ensino que não responde à demanda do mercado de trabalho atual, currículo ultrapassado, formação de professores defasada e falta de acompanhamento dos alunos. Conforme o coordenador de Avaliação Institucional da Universidade Federal do Ceará (UFC), Wagner Andriola, estas são as maiores dificuldades encontradas, hoje, nos últimos anos do Ensino Básico. “Estes fenômenos, que resultam na evasão escolar, atingem todo o País e pode ser mortal para o Ensino Médio”, frisou.

Sobre os números da pesquisa, o professor ressaltou preocupação com as colocações diferenciadas (4ª em participação e 19ª em média de notas). “O Enem pede a capacidade de leitura, compreensão e interpretação de texto. Se os resultados sobre as notas não são positivos, quer dizer que falta uma reformulação do ensino”, avaliou.
Wagner destacou, entretanto, que as escolas participantes da pesquisa exibem processos mais sofisticados de Educação. “É preciso acompanhamento próximo ao aluno, boa gestão escolar e materiais didáticos de qualidade. Não tem dificuldade. Se esses detalhes forem cumpridos, poderemos ter excelentes resultados em pouco tempo”, ressaltou Wagner

O Estado CE