Concessão de consignado dispara

BC avalia que os gastos tradicionais de janeiro, como impostos e material escolar, são principais causas

Brasília As concessões de crédito consignado dispararam no início do ano, principalmente para aposentados e pensionistas do INSS. A alta foi de 32,9% de dezembro para janeiro, o que representa um total de R$ 11,4 bilhões, segundo divulgou ontem o Banco Central.

Apenas para os beneficiários da Previdência, o salto foi de 57% no período entre dezembro do ano passado e janeiro de 2013 FOTO: CAROL DOMINGUES

Apenas para os beneficiários da Previdência, o salto foi de 57% no período. O forte movimento visto no mês passado pode ser sazonal, na avaliação do chefe do departamento econômico do BC, Tulio Maciel. “O início de ano é um período de compromissos de pagamento para as famílias”, disse. Ele citou como exemplo gastos com educação, com IPTU e IPVA e com “algum excesso” nas férias.

O consignado é um tipo de empréstimo mais barato. Enquanto o juro médio do crédito com recursos livres fechou janeiro em 26,1% ao ano, o do consignado foi de 24,5% ao ano. A modalidade também é interessante para os bancos porque, como as parcelas são descontadas direto do salário de quem pegou o dinheiro, a inadimplência é baixa. Em janeiro, ficou em 2,7%, enquanto a geral foi de 5,6%.

Pelos dados do BC, que desde a última terça-feira passou a detalhar algumas operações de crédito que antes não eram divulgadas, o volume de fechamento de novos contratos desse tipo de financiamento foi 38,6% maior para os trabalhadores do setor privado em janeiro e 22,3% no caso dos funcionários públicos. Os servidores são quem mais usam esse tipo de financiamento (61% dos empréstimos), os que pagam menos juros (22,5% ao ano) e os que dão menos calote (2,8%). O saldo de consignado está em R$ 192,5 bilhões.

Rotativo sobe 4%

Outro dado que passou a ser divulgado é o das operações com cartão de crédito com mais detalhes. Os resultados não são tão positivos. Em janeiro, o rotativo do cartão, que inclui saques e faturas não pagas na data, cresceu 4%. Novas operações parceladas com juros avançaram 0,4%. Já as compras à vista ou divididas sem juros caíram 11% em relação a dezembro.

O BC revelou que o parcelamento no cartão com juros é, em média, de 8 a 9 meses, com inadimplência de 6,1%. No rotativo, os calotes representam 37% do total emprestado. Ainda estão de fora das novas estatísticas do BC o custo das operações com cartões. Como são muito expressivas, se entrassem nas contas, os juros do cartão puxariam para cima a taxa média paga pelo consumidor.

No rol das novidades do BC consta ainda uma queda de 66% nas novas operações de empréstimos fechadas em janeiro com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Essa comparação foi feita com dezembro e foi avaliada como sazonal. Quando a relação é com janeiro de 2012, foi observada uma alta de 62,4%. As taxas médias cobradas pelo BNDES ficaram em 8,9% (giro), 7,2% (investimento) e 6,4% (agroindústria).

Veículos

Os empréstimos para compra de automóveis e aquisição de bens, começaram 2013 em baixa. As concessões em janeiro caíram 8,3% e 19,6%, respectivamente, quando comparado ao final do ano passado. Retorno gradual do IPI é apontado pelo BC como principal causa.

Na mesma direção foram as compras com cartão de crédito para pagamento à vista (queda de 11,3% no mês). Em compensação, a modalidade de crédito consignado disparou. A alta de 32,9% nas concessões do mês comparativamente a dezembro último foi puxada pelos aposentados do INSS, que registraram incremento de 57%. A liberação de dinheiro nessa modalidade de crédito também foi maior para os trabalhadores do setor privado (alta de 38,6% no mês) e da área pública (22,3%).

Para o chefe do Departamento do Banco Central, Túlio Maciel, a alta no consignado está vinculada ao fato de janeiro ser um período de gastos das famílias com material escolar e pagamento de impostos, após as despesas das festas de fim de ano. No entanto, o desembolso de R$ 11,3 bilhões no mês passado em empréstimos consignados representa alta de 30,5% em relação a janeiro de 2012, quando o orçamento das famílias sofreu influência dos mesmos gastos.

Cheque Especial

Umas das alternativas de crédito mais cara do mercado, o cheque especial, teve alta de 4,4% nos desembolsos do mês. A liberação de recursos nessa modalidade somou R$ 26,1 bilhões. O cartão de crédito apresentou queda de cerca de R$ 6 bilhões.

Diário do Nordeste