Divulgação de obras de arte ganha novas possibilidades

Portais disponibilizam acervos de artistas plásticos, cantores e compositores de forma gratuita para o público

É de encher os olhos o mosaico formado pelas cinco mil obras de um dos representativos nomes das artes visuais brasileira: o artista Cândido Portinari (1903-1962), cujo acervo pode ser acessado, desde o último dia 21, quinta-feira, via “Portal Portinari”. O novo site (o endereço oficial www.portinari.org.br ) é uma demonstração de que a tecnologia pode, sim, ser usada para a democratização da arte. Basta um clique para que, como num passe de mágica, as pessoas possam ter acesso aos trabalhos criados pelo pintor, que soube unir arte e engajamento social, assimilado em tipos bem brasileiros, como a série “Os retirantes”, por exemplo. “O Portal Portinari não constitui uma navegação tradicional”, avisa Maria Duarte, coordenadora do projeto, esclarecendo que possui interface diferenciada. Explica que, atualmente, existe tecnologia disponível para se pensar um site sobre arte utilizando outro conteúdo, ou seja, uma maneira mais lúdica. Daí considerar o site construído em consonância com o tempo atual, utilizando todas as ferramentas disponíveis. “A alma do portal é o acesso às obras de Portinari”, argumenta.

O Portal Portinari, um dos pioneiros no Brasil na disponibilização de acervo de arte na rede, tem à disposição dos visitantes obras de várias fases do artista, além de dados sobre a sua carreira: novas telas para a arte

O site tem como principal objetivo a democratização da obra de Cândido Portinari, já que 95% do acervo do pintor paulista não está disponível à visitação pública. Ao acessar o portal, o internauta poderá visualizar uma complexa base de dados com cerca de 30 mil itens relacionados, entre obras, cartas, fotografias, periódicos e depoimentos. Vale lembrar que não são referentes apenas ao pintor, mais também aos seus contemporâneos. No entanto, pouco adiantaria dispor de alta tecnologia, caso não tivesse sido realizado um trabalho de pesquisa, de garimpagem mesmo da obra de Portinari, resultado de trabalho de33 anos. É uma demonstração também de preservação da memória que com o site, passa a ser realizada com auxílio de uma plataforma tecnológica.

Maria Duarte destaca a riqueza da base de dados do portal, que associa uso de alta tecnologia. Ao acessar o site, a pessoa mergulha no universo de Portinari, a partir de um colorido mosaico, construído com as suas obras. Assim, o internauta passa a ter uma experiência sobre esse acesso e não uma simples consulta, pontua Maria Duarte. Ela ressalta a pareceria com o Ministério da Cultura (Minc) e o apoio da Queiroz Galvão Exploração Produção (QGEP), admitindo ser muito raro conseguir esse tipo de patrocínio.

Na próxima semana, o Portal será apresentado nas comunidades do complexo do Alemão e no Canta Galo, no Rio de Janeiro. A expectativa é de que o site seja bastante utilizado pelos professores, uma vez que o acesso é aberto, e as imagens podem ser baixadas para fins educativos e de pesquisa, diz, adiantando que possuem bom tamanho. Quando a pessoa clica na obra, ela é ampliada, aparecendo uma ficha técnica sobre a mesma. A ampliação possibilita uma visualização apurada da obra, podendo serem sentidas até as pinceladas do pintor, cuja obra prima pela expressividade. Quanto à questão sobre o direito autoral das obras, explica que a de Portinari não caiu ainda no domínio público. Dependendo do uso da imagem, precisa de uma autorização, no caso, do diretor do site, João Cândido Portinari, filho único do artista. “Esperamos que o site seja acessado pelo maior número de pessoas, argumenta.

Pioneiro

Sobre o pioneirismo do projeto, Maria Duarte explica que foi realizada uma pesquisa em acervos pelo mundo, não foi verificado um site tão completo como o Portinari. Porém, inovou ao propor, nos anos 1980, a utilização de processos digitais e de tecnologia da informação nas diferentes áreas de seu trabalho. Em 1998, inovando mais uma vez, o Projeto já disponibilizava todo seu acervo na internet para o público. Para a época, o site era tecnologicamente avançado e atendia bem seu público principal, composto primordialmente por pesquisadores. O site é formado pelo mosaico com as obras de Portinari, que servem para dar boas-vindas aos internautas. É justamente esta a sua principal inovação.

O acervo pode ser acessado pelo Portal através de três caminhos: o mosaico (home), a entrada lúdica e imediata para o conjunto da produção do artista. A busca pode ser feita a partir de texto livre, data e pelos filtros que dividem a produção do artista em tipo, tema, cor, suporte e técnica. Ao clicar em algum dos itens do mosaico, se tem acesso às informações básicas do item e a um infográfico que mostra os relacionamentos deste item com outros itens do acervo. Clicando em um dos itens relacionados, abre-se uma nova busca, tendo como centro este novo item do acervo.

Também pode ser feita pelas listas, para uma interação mais rápida e objetiva com os itens catalogados: obras, pessoas, documentos, fatos históricos, eventos, entidades. E por uma busca avançada. Esta funcionalidade do Portal é voltada para pesquisadores que visam cruzar dados e chegar a itens específicos disponíveis no acervo. Traz informações sobre o pintor e o projeto, arte e educação, notícias e agenda.

Outros sites

Funarte

Desde o início dos anos 2000, a Fundação Nacional de Artes (Funarte) vem adaptando seu acervo para se tornar acessível a um número cada vez maior de brasileiros. Com este objetivo, a instituição tem organizado sua vasta coleção – fotos, arquivos sonoros, textos, documentos – para serem digitalizados e disponibilizados ao público, na internet. Constituem esses acervos uma parte considerável da memória das artes cênicas, da música e das artes plásticas do Brasil.

Instituto Antonio Carlos Jobim

O acervo de Tom Jobim foi organizado e digitalizado em 2001 com a criação do Instituto Antonio Carlos Jobim e conta com mais de 9.000 itens catalogados. Nele é possível navegar através da vida e obra do maestro. É possível ouvir músicas, ver suas partituras, fotos, documentos, áudios e vídeos; além de textos sobre momentos marcantes de sua vida e frases de sua autoria. O portal congrega ainda os catálogos de Gilberto Gil, Chico Buarque, Dorival Caymmi, Paulo Moura, Milton Nascimento e Lucio Costa

Chiquinha Gonzaga

Idealizado pelos pianistas e pesquisadores Alexandre Dias e Wandrei Braga o site dá acesso pela primeira vez à obra da compositora. Chiquinha está entre os compositores mais prolíficos de seu tempo, porém sua obra ainda é em grande parte desconhecida tanto do público quanto dos músicos. Durante mais de três anos, Alexandre e Wandrei garimparam partituras em diversas fontes e chegaram a mais de 300 partituras da artista.

IRACEMA SALES
REPÓRTER

Diário do Nordeste