Para especialistas, programas são insuficientes

Interno no Centro Educacional Cardeal Aloísio Lorscheider (Cecal), o jovem aposta as fichas do próprio futuro em dias melhores. “Aqui a gente até ocupa o tempo. Mas quero vir morar em Fortaleza (ele é de Massapê). Minha mãe vem pra gente ficar na casa de uma tia. Vou estudar”, planeja ele, que ingressou no sistema após roubar no Carnaval do ano passado. A turma decidiu cair na farra. Para não ficar de fora, ele tratou de arranjar dinheiro e ir junto. Foi apreendido pela Polícia.

 

Para a coordenadora do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca/Ceará), Nádja Furtado, a política dos centros educacionais da STDS é equivocada: “O sistema socioeducativo fechado é preocupante. As unidades estão superlotadas e sem condições de desenvolver um trabalho sociopedagógico. Muita coisa precisa ser repensada e fortalecida pra gente conseguir quebrar esse ciclo da violência”..

 

A crítica é reforçada pelo juiz da 5ª Vara da Infância e da Juventude, Manuel Clístenes. “Com as atuais políticas públicas, eu não vejo chance de redução de índices (de violência envolvendo jovens). Enquanto nada for feito, as estatísticas só vão aumentar. Vai ser enxugar gelo”, lamenta.

 

A assistente social e pesquisadora do Laboratório das Juventudes (Lajus/UFC), Mara Carneiro, diz que, para evitar o envolvimento de jovens em atos infracionais, é preciso assegurar boas escolas e universidade, equipamentos de esporte/lazer, postos de saúde em funcionamento etc. “Se pegarmos o exemplo da educação, poderíamos dizer que todos têm escola; só não estuda quem não quer. Mas como estão estas escolas? Os horários de aula estão sendo cumpridos? Temos professores suficientes e em boas condições de trabalho? O que a escola faz quando um jovem começa a ser integrado ao crime?”, questiona. (Bruno de Castro)

O Povo