Garantia de qualidade na sala de aula

No ensino superior, ganham espaço cursos voltados à formação de professores para educação musical

Já os cursos de graduação em música no Ceará preocupam-se também com a formação de professores para a área. Entre os fatores que, com o tempo, podem levar ao aumento da demanda está a lei federal n° 11.769, sancionada em agosto de 2008, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de música em escolas educação básica públicas e particulares do País.

Pedro Neto (de preto), professor do CMAN

Embora o prazo para adequação à lei tenha acabado em 2011, boa parte das escolas ainda não cumpre o estabelecido – ainda que não haja obrigatoriedade de a música constituir uma disciplina exclusiva (ela pode, por exemplo, integrar o ensino de artes).Tampouco há a exigência de os professores ou educadores encarregados desse conteúdo serem formados em música. Ainda assim, alguns profissionais têm boas expectativas. “A lei deve incrementar a demanda por professores e educadores. Tanto que novos cursos têm surgido no Ceará, com o da UFC”, comemora Heriberto Porto, professor do curso de bacharelado em flauta do departamento de Música da UECE.

Segundo ele, a área da docência em música representa a parte do mercado que mais cresce. “A área de atuação artística é mais difícil, um pouco limitada. Por exemplo, o próprio Estado não dispõe de uma orquestra sinfônica”, avalia Porto.

Teste

Na UECE, o acesso aos cursos de música ainda é por meio de vestibular. Além das provas, a seleção também inclui teste de habilidade específica – ou seja, o candidato precisa dominar seu instrumento de escolha, além de conteúdos relacionados à linguagem musical.

Aluna do CMAN Foto: José Leomar

“No caso do bacharelado (voltado à formação de músicos para atuação artística), o candidato já precisa ter um bom nível com o instrumento. Geralmente, são abertas uma ou duas vagas por ano para cada bacharelado, porque as aulas são individuais e há poucos professores”, justifica Heriberto Porto.

“Hoje temos bacharelados em flauta, piano, composição musical e saxofone popular. Nossa aspiração é que consigamos mais professores para abrir bacharelados em violão, violino, clarinete, ou seja, pelo menos os instrumentos principais de orquestra”, complementa o coordenador.

Professores

Mais procurado é o curso de licenciatura (voltada à formação de professores para a área de educação musical), tanto pela maior oferta de vagas quanto por não exigir o mesmo nível e repertório dos candidatos na prova de habilidade específica.

“A cada semestre ingressam em torno de 25 alunos, que, ao longo do curso, atendem a disciplinas de teoria musical (harmonia, orquestração, solfejo), prática de conjunto, prática instrumental e, claro, de didática e pedagogia, além do estágio”, explica Porto. O curso contempla formação em flauta doce, piano e violão.

Já na UFC, que em 2006 iniciou sua primeira turma do curso de Licenciatura em Música (oferecido em Fortaleza e nos campus do Cariri e de Sobral), o foco é exclusivamente a formação de professores. Por isso, não há teste de habilidade específica – o ingresso é feito somente pela prova do Enem.

“Fortaleza não tem nenhuma escola pública de música, então, até pouco tempo, pessoas interessadas em fazer uma graduação na área precisavam pagar para ter aulas e se preparar Por isso, decidimos não exigir teste de habilidade, não queríamos elitizar o curso”, justifica o coordenador Gerardo Viana.

Tal característica resultou na formação de turmas iniciais bastante heterogêneas. “Há desde alunos que já dominam instrumento até aqueles que passarão a conhecer as técnicas no curso. É um aspecto que serve inclusive como recurso didático, ao apresentar aos alunos possíveis dificuldades no ensino da música”, esclarece Viana.

Outra particularidade do curso é a ênfase na musicalização por meio da voz. “Nossa proposta de formação é mais voltada à prática vocal, que considera a voz o próprio instrumento”, explica o coordenador.

“Consideramos todas as possibilidades de atuação para esses futuros professores, especialmente a rede pública de ensino, na qual nem sempre há recursos para aquisição de instrumentos. Mas se faltam violões ou pianos, o professor sempre tem a voz dos alunos”, complementa.

A opção também está relacionada com o histórico da UFC, que tem em seu coral, Seios da Face, uma experiência de quase 50 anos, e um processo de formação já amadurecido.

Mais informações

Viva Escola de Artes
Av. Des. Moreira, 629, Meireles
Contato: (85) 3208.3500

Conservatório de Música Alberto Nepomuceno
Av. da Universidade, 2210, Benfica
Contato: (85) 3231.8595

Curso de Música da Uece
Av. Paranjana, 1700, Campus do Itaperi – Centro de Humanidades
Contato: (85) 3101.9760

Curso de Música da UFC – Fortaleza
Rua Dr. Abdenago Rocha Lima, s/n, Campus do Pici – Instituto de Cultura e Arte
Contato: (85) 3366.9222

Curso Técnico em Instrumento Musical do IFCE
Av. Treze de Maio, 2081, Benfica
Contato: (85) 3307.3670

ADRIANA MARTINS

Diário do Nordeste