Maioria dos secretários municipais de educação já deu aula ou dirigiu escola

Maioria dos secretários municipais de Educação já deu aula ou dirigiu escola - João Bittar/MECPara especialistas, experiência em ambiente escolar ajuda gestor a ter visão mais clara da rede

Mariana Mandelli

A maior parte dos secretários municipais de Educação da gestão que se encerrou no ano passado fez carreira na área antes de assumirem a pasta de suas cidades. Pouco mais de 76% são do quadro do magistério – 46% integram equipes na rede municipal que dirigem e 46% em outros municípios ou na rede estadual.

Os dados são da Segunda Pesquisa Nacional sobre o Perfil dos Dirigentes Municipais de Educação do Brasil, realizada em 2010 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O estudo reúne as informações e opiniões de 3.410 secretários municipais de Educação. A participação foi voluntária e a pesquisa, apesar de ter sido realizada em 2010, só foi divulgada agora.

De acordo com os dados, o típico secretário municipal de Educação do País é, na realidade, secretária. A maior parte – 72,3% – é mulher, com idade entre 41 e 50 anos, e se considera branca. Cabe lembrar que 8 em 10 professores da Educação Básica são mulheres, segundoa Sinopse do Professor da Educação Básica, divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) no fim de 2010.

Para especialistas, os dados são reflexo das redes. “É natural porque o cargo de secretário é de livre nomeação pelo executivo. Portanto, existe essa ideia de que é preciso escolher um dirigente que venha da área da qual será responsável”, explica Sinoel Batista, chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

Ele destaca que o fato de o secretário ter passado pela rede pode ser positivo para seu mandato, mas não significa necessariamente que fará uma boa gestão. “Uma coisa é ser professor de matemática e um bom alfabetizador, por exemplo. Para isso, cabe ser especialista em uma área. Na gestão não é assim. O secretário deve ter compreensão do todo”, explica. “Caso frustre os profissionais da Educação ou os políticos que deram o cargo a ele, esse dirigente será bastante cobrado.”

Os dados ainda mostram que o tempo médio de exercício contínuo no cargo de dirigente é de 33,5 meses – ou seja, cerca de 2 anos e 10 meses.

Formação
O estudo do Inep e da Undime também revela que grande parte dos secretários cursou o nível superior: 30,7%, o que foi analisado pela pesquisa como um “um percentual considerável”. Já a taxa dos dirigentes que afirmaram possuir escolaridade abaixo do nível superior foi baixa: 4,5%. Os dados mostram também que outra grande parcela já concluiu algum curso de especialização: 59,4%.

A necessidade de mais conhecimento para desenvolver seu próprio trabalho e também para a melhoria de sua equipe é uma demanda dos dirigentes. De acordo com a pesquisa, a maior parte dos secretários indicaram a necessidade de capacitação em gestão financeira” (38,1%), gestão estratégica” (36,0%) e gestão de pessoas (27,0%). Já para as suas equipes técnicas, eles indicam a necessidade de capacitações em gestão estratégica (43,3%), gestão pedagógica (41,0%) e gestão financeira (39,6%).

Para Cleuza Repulho, presidente da Undime, a formação de nível superior e o investimento em cursos de especialização são dados positivos que ajudam a derrubar o mito de que muitos gestores não têm preparo para as tarefas que executam. “A escolaridade não é baixa e muitos têm pós-graduação lato sensu. Mostra que o perfil do gestor vem melhorando e que está se qualificando”, afirma. “Isso é importante porque gerir a Educação é uma grande responsabilidade, já que se administra um volume muito grande de recursos.”

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