Regras definem comportamento

Antonio More/Gazeta do Povo / Assim como Gabriel Kienem, nenhum aluno do Novo Ateneu pode usar o celular nas aulas. A regra vale em outras escolas
Assim como Gabriel Kienem, nenhum aluno do Novo Ateneu pode usar o celular nas aulas. A regra vale em outras escolas
– Antonio More/Gazeta do Povo

ADRIANA CZELUSNIAK

Dos primeiros anos escolares – quando a criança vive experiências sem se preocupar com a socialização – até as séries que convivem com a turbulenta adolescência, é tarefa obrigatória da escola definir regras sociais claras e que favorecem a convivência e o aprendizado de todos os alunos. Normas são necessárias para definir o que é esperado, exigido ou proibido em relação aos estudantes.

Usualmente descritas no regimento interno do colégio, as regras de conduta vão além da simples definição de direitos e deveres dos jovens. Elas devem abordar também o respeito às diferenças, a tolerância e o equilíbrio entre desejos e responsabilidades. “É importante ter condutas que facilitam o aprendizado e possibilitam que os alunos aproveitem melhor as aulas e as atividades na escola”, afirma Vera Izabel Pugsley Julião, diretora do Colégio Novo Ateneu, que tem em seu site um manual de conduta.

Regimento Escolar

É o documento que estrutura, define, regula e normatiza as ações em cada escola e costuma ser disponibilizado na biblioteca, coordenação pedagógica ou site da instituição. Todos os alunos devem ter acesso a ele e, em algumas escolas, podem inclusive participar da sua elaboração.

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Família

Para que crianças e adolescentes entendam e respeitem as regras, é fundamental que a família apoie o que é definido pela escola. É comum pais tentarem driblar determinadas normas, o que confunde os filhos, segundo a psicóloga Fernanda Roche, mestre em Saúde Mental Infantil e coordenadora do espaço Criança em Foco. “Se não há unidade de linguagem entre pais e escola, os estudantes não têm um contorno delineado sobre o que é ou não é aceito pelo código de valores escolar”, diz.

As regras dentro das escolas devem ser justas e equiparadas a todos, mas, além das normas documentadas, é comum que ocorram acordos informais entre professores e estudantes. Os pactos podem ser informados aos pais na reunião de início das aulas ou durante o ano letivo, conforme o desenrolar das situações. Esse é mais um motivo para que a vida escolar do filho seja acompanhada de perto.

“Os pais com filhos na educação infantil de hoje vêm de uma geração pós-ditadura que diz que quer, pode e paga, mas essa postura questionadora em relação à escola não ajuda. Quanto mais esses pais aceitarem o modelo de firmeza e carinho vindo da escola, melhor conseguirão lidar com os filhos em casa”, diz Fernanda.

Assim como há regras comuns a todas as escolas, alguns acordos variam confor­me a linha pedagógica do colégio. Ao matricular a criança em determinada escola, automaticamente, os pais estão aceitando as normas propostas.

Para ajudar o convívio e ser respeitado

• Dia do brinquedo

A relação de segurança que as crianças têm com seus brinquedos faz com que algumas escolas permitam que os alunos levem carrinhos e bonecas à sala de aula em um dia da semana, especialmente nos primeiros anos da educação infantil. Nesse momento, é preciso que os pais ajudem na escolha do que será levado, que não deve ser de muito valor ou difícil de ser substituído, evitando transtornos maiores caso haja estrago ou extravio do objeto. Alguns itens costumam ser vetados, como armas de brinquedo ou eletrônicos.

• Festa na escola

Na educação infantil, dia de aniversário é dia de festa em muitas escolas, embora algumas permitam apenas uma comemoração por mês para todos os aniversariantes do período. O mais comum é permitir a entrada dos pais do aniversariante na escola para uma celebração simples, com bolo, salgadinhos e docinhos durante o recreio. Sobre os presentes, há desde a sugestão de não haver troca até a entrega sem restrições. O ideal é que eles não sejam desembrulhados na frente dos colegas e que não haja distinção entre quem será presenteado.

• Com que roupa

Enquanto o uso do uniforme é obrigatório na maioria das escolas particulares, nas públicas, a norma passa pelo crivo do Conselho Escolar e da Associação de Pais, Mestres e Funcionários. Há instituições que sugerem o uso de uniforme apenas em algumas ocasiões. No Anjo da Guarda, por exemplo, alunos só precisam estar uniformizados quando há passeios fora da escola, por questão de segurança, segundo Vera Miraglia, diretora do colégio. Outra regra comum é o impedimento do uso de roupas e artigos de times de futebol.

• Apaixonados no pátio

O namoro entre colegas não é proibido, mas as manifestações amorosas precisam ser dosadas. Problema de conduta mais comum a ser enfrentado em colégios de ensino médio, os namoricos em público podem render recados aos pais e até advertência. “Os casais podem andar de mãos dadas, mas se despedem com beijo no rosto, como acontece entre amigos. Os pais sempre são avisados, então, se os adolescentes não querem que eles fiquem sabendo, nem fazem nada na escola”, conta Vera Izabel Pugsley Julião, diretora do Novo Ateneu.

• Atividades paralelas

Ações planejadas pelos alunos, como venda de rifas, abaixo-assinado ou amigo secreto, geralmente exigem autorização da escola. Essa medida é tomada como forma de evitar constrangimento com famílias que não querem que os filhos se comprometam sem a autorização deles. Em relação a festas e atividades externas, mesmo que a escola permita a distribuição de convites a poucos alunos, é bom ter bom senso. Se a intenção é convidar apenas os colegas mais próximos, não é preciso combinar em sala de aula, na frente de toda a turma.

• De olho na saúde

Estudante doente não pode ser impedido de ir à escola, mas a família precisa ser orientada a evitar mandá-lo ao convívio de colegas. Além de preservar quem está mal, é evitada a contaminação. “Tem pai que gosta quando a escola diz que não tem problema mandar a criança, doente. Mas eles têm de pensar que, assim como a escola fala isso para eles, diz o mesmo para outros pais. Ninguém quer deixar um filho bem na escola e buscá-lo doente depois”, lembra a psicóloga Fernanda Roche. A administração de remédios deve ser feita por uma pessoa responsável na escola.

• Conectados, na aula

Na escola é assim: regra para professores e funcionários, regra para alunos. Celulares e afins precisam ficar desligados durante o horário de aula. Telefonemas, mensagens, jogos ou músicas, são permitidos apenas nos intervalos ou no recreio. Na maioria das vezes em que o telefone toca em aula, é a própria família que está ligando, conta Vera Julião. “Um dia, um professor de Matemática atendeu o celular de um aluno no meio da aula. Era a mãe do garoto dizendo que só precisava passar um recadinho rápido”, conta a diretora.