Educação: ousar é crime?

Francisco Djacyr – Professor

Sei que minha história não vai interessar a muitos, pois poucos se incomodam com o que se passa no ambiente escolar, e professor é classe sem reconhecimento em todos os setores da sociedade.

No entanto, quero lhes contar um plano urdido contra mim que prova que os professores quando querem mudar encontram sempre barreiras intransponíveis em seu fazer pedagógico, geralmente, referendadas pelos próprios colegas e pela sociedade em geral.

A educação jamais irá para frente com situações de covardia, traição e disse me disse tão comuns nas escolas públicas, onde a maioria se rende aos ditames do poder e a benefícios que, geralmente, não querem dizer nada.

Sempre achei que a educação vai além dos muros. Sempre pensei que a escola deveria dar aos alunos condição de pensar criticamente o mundo em que vivem e fazê – los ser agentes das mudanças.

Essas ideias tem me custado muito até os dias de hoje, e sinto que muitos não estão nem aí para a situação das escolas e grande parte só se preocupa com o salário, pensando individualmente em resolver seus problemas imediatos.

Com o pensamento voltado para uma educação crítica, reflexiva e participativa enfrentei, duramente, dois gestores ( se dizem ) de uma Escola Pública Municipal de Fortaleza e na realidade perdi muito com isso , pois tive até a exposição de um atestado médico meu em sala de aula com conivência dos colegas que talvez acharam até bonita esta atitude.

No enfrentamento fui levado às barras da justiça e quando tentei alguém que testemunhasse a meu favor não encontrei, pois senti que, na realidade, o mal da escola era eu.

Na luta em questão, a Prefeitura de Fortaleza agiu tal como Pilatos transferindo – me para a Secretaria de Meio Ambiente e Controle Urbano com o intuito de retirar-me da escola e de isolar-me completamente, o que acabou acontecendo. Na realidade neste trabalho não me era dada oportunidade alguma e em pouco ou nada contribui, pois na realidade, eles queriam apenas tirar o foco de minha luta.

Na nova administração tive de voltar para a sala de aula, mas não tive direito de retornar à escola anterior, o que me faz crer que tudo foi muito bem armado para que eu realmente saísse da escola dando aos gestores ditadores espaços para continuar cometendo seus absurdos administrativos e todo tipo de assédio moral que eram comuns na escola e faziam parte das queixas dos professores e funcionários que chegavam até mim para dar a famosa “corda”.

Todos , no entanto, quando viram minha situação calaram – se , enfiaram sua cabeça na areia e até dizem que a escola está em  paz o que mostra nossos educadores (?) entraram no tolo ritmo do ditado popular “ farinha pouca meu pirão primeiro”  e me dá uma tristeza por ter feito um trabalho notável com os alunos que infelizmente ainda são uma matéria – prima de grande valor na escola comandados por pessoas sem sensibilidade, sem coração e cada vez mais individualistas e egoístas ao extremo coisas que nada tem a ver com uma proposta de educação verdadeira e libertária. Quem se ferrou? Eu, claro…
O Estado – CE