Sair da vida para entrar na história

“Lauro de Oliveira Lima definitivamente entra na História brasileira pelas mãos de uma infinidade de atores”

Saindo da missa em homenagem ao meu pai, o professor Lauro de Oliveira Lima, senti uma onda de alegria. Compreender este ângulo da morte de um homem público é fundamental. Pensei na frase de Getúlio Vargas ao final de sua carta deixada a nação por ocasião de seu suicídio algo como “Saio da vida para entrar na história”.

 

Ouvindo as palavras litúrgicas, de maneira diversa, o moto é o mesmo: sair de um tipo de existência para outra. Neste momento então é que penso entender, ou pelo menos dar um significado a frase de Getúlio.

 

A vida é cotidiana é lugar das igualdades, das similitudes que colocam todos num mesmo contexto, com seus defeitos e suas mesquinharias, seus medos e suas coragens, suas invejas e seus rancores, seus heroísmos e sua covardia. Assim são os seres humanos. Tão comuns. Prisioneiro do seu corpo de suas escolhas de suas necessidades quase sempre banais. Por vezes especiais por vezes apenas pessoas movendo-se neste mundo quase insano.

 

A morte então arranca desta complexidade do humano e coloca a suspensão etérea da eternidade desvencilhando de todos e de tudo. Assim é que Getúlio deixava a vida amarga das traições, competições, medos e “assustamentos” para ingressar no lugar das interpretações livres e amplas, intocáveis, atemporais, uma instância da intocabilidade.

 

Lauro de Oliveira Lima é agora público, não no sentido da vida comum de sua existência, mas na amplitude de seu legado. Todos que com ele trabalharam, estudaram, praticaram, são dele então, proprietários. Todos podem adentrar sua intimidade e conta-nos histórias.

 

A todos é dado o direito de estudar-lhe e interpretar lhes as ideias. Estas histórias serão todas verdadeiras. Estas ideias para debater, escritos para serem expostos. Pode ele ser agora apropriado como o são os imortais.

 

Pela exuberância de suas ideias isto é uma explosão de liberdade e Lauro de fato sai dois limites abusivos e absurdos da vida para entrar na história. Na História da educação, na história de escolas, nas histórias de professores. Lauro definitivamente entra na História brasileira pelas mãos de uma infinidade de atores. Atores cheios de escritos e falas, falas diferentes, falas interpretadas falas abundantes.

 

Adriana Oliveira Lima

Doutora em Educação

adri.o.l@hotmail.com

 

Adriana Oliveira Lima
O Povo