Ano letivo terá 200 horas/aula a mais

Apeoc ainda vai analisar todas as mudanças propostas pela SME para depois debatê-las com o titular do órgão

Com o objetivo de reorganizar o calendário escolar de Fortaleza, a Secretaria Municipal de Educação (SME) anunciou, ontem à tarde, que o fim do ano letivo de 2012, programado para 29 de abril, foi antecipado para 28 de fevereiro. Por isso, agora, o ano letivo de 2013 terá início próximo dia 18 de março. Para que os estudantes do ensino fundamental não percam esses dois meses, eles terão uma hora a mais de aula todos os dias, totalizando mil horas/aulas no calendário deste ano, em vez das 800 horas dos antigos calendários.

Conforme promessa do secretário municipal de Educação, para os cerca de mil professores do ensino fundamental haverá o incremento de 30% devido ao acréscimo de uma hora na carga horária FOTO: MARÍLIA CAMELO

A expectativa do titular da SME, Ivo Gomes, é que, com essas mudanças, em 2014, o ano letivo tenha início no dia 3 de fevereiro e siga normalmente até o fim dos 200 dias de aula. “A nossa preocupação é que, desde 2007, o calendário é irregular e isso acaba criando problemas para alunos e professores”, comentou o secretário.

Ele acrescentou que o 1º e o 2º anos terão a carga horária ampliada, em uma hora por dia, pois são essenciais para o ciclo de alfabetização das crianças. “O importante será garantir a alfabetização”, acrescentou.

Além disso, comentou Ivo Gomes, os estudantes do 6º ao 9º ano terão três horas diárias de atividades envolvendo português, matemática, esportes e cultura através do Programa Mais Educação, do Ministério da Educação (MEC). Dessa forma, ao fim do calendário deste ano, eles terão 1.100 horas de aula.

Férias

Em julho, as crianças ganharão três semanas de férias, porque nos primeiros cinco e nos três últimos dias do mês haverá aulas. Já em 2014, os estudantes terão 24 dias de férias no período entre um ano letivo e outro.

Para que o calendário do próximo ano não sofra alterações e seja igual ao de outras escolas, não poderão haver greves. Segundo o titular da SME, nada pode ser garantido, mas o órgão vai sempre dialogar com os professores em busca de um acordo.

“Estamos sendo transparentes e, por isso, vamos abrir as nossas contas para que os sindicatos vejam qual é a situação da SME e também do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb)”, explicou Gomes.

Ele ressaltou que, para os cerca de mil professores do ensino fundamental, haverá o incremento de 30% devido ao acréscimo de uma hora na carga horária. Além disso, o titular está bastante otimista para garantir políticas salariais dos mestres já para os próximos quatro anos de governo da atual gestão.

Agora, a perspectiva do secretário é de que cerca de 80% do Fundeb seja utilizado para o salário dos professores. “A folha salarial precisa ser analisada e será necessário a criação de uma engenharia financeira”.

Segundo o presidente do Sindicato dos Professores do Estado do Ceará (Apeoc ), Anízio Melo, a entidade apoia toda regularização que garanta o direito e qualidade ao ensino. Porém, a proposta ainda será avaliada. “Amanhã (hoje), teremos uma reunião no sindicato para analisar a situação e, depois, vamos debater, de tarde, com o secretário Ivo Gomes”, disse o presidente.

Até o fechamento desta edição, os diretores do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Ceará (Sindiute) não atenderam as ligações.

THIAGO ROCHA
REPÓRTER

Diário do Nordeste