Redobre a atenção no consignado

Os juros do consignado ao ano são de 23%, enquanto o do cheque especial bate 145%, mas fique atento ao contrato

Consignado: proliferam queixas sobre descontos indevidos ou superiores à parcela contratada FOTO: AGÊNCIA REUTERS

O empréstimo consignado é de longe a melhor opção de crédito no mercado. Enquanto a média das taxas de juros do consignado gira em torno de 23% ao ano, a do cheque especial em janeiro chegava à casa dos 145,46% e a do empréstimo pessoal nas financeiras, de 124,21% ao ano, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Essa brutal diferença dentre os juros cobrados nas diversas linhas fez com que a preferência pelo consignado disparasse. Os problemas também se avolumaram. Não é incomum encontrar quem não se queixe da falta de informações nos bancos e nas financeiras ao tentar obter o empréstimo. Ou, ainda, da imposição de dificuldades na concessão do consignado para favorecer a oferta de outra modalidade de crédito, com juros mais altos.

Simulações ajudam

As dificuldades invadem até a internet. O consumidor precisa redobrar a atenção nas simulações de crédito: os cálculos, em geral, são feitos com base no total do empréstimo pretendido ou no valor da parcela mensal, fornecida pelo internauta, a fim de estimular a contratação do empréstimo. A falta de informações sobre as taxas de juros, porém, deixa o consumidor sem saber quanto será o custo mensal do empréstimo.

Os problemas estão longe de acabar com o fechamento do negócio. Proliferam queixas sobre descontos indevidos ou superiores à parcela mensal contratada. Com exceção dos aposentados e pensionistas da Previdência Social, em que uma instrução normativa define o teto de até 30% do benefício para o desconto, não existe nenhum limite para o abatimento de parcelas no salário dos trabalhadores da iniciativa privada. Dentre todos os problemas, um dos maiores que os tomadores do crédito consignado enfrentam é quando tentam antecipar a quitação do empréstimo, porque não são raros os bancos que deixam de fornecer informações e dificultam a negociação. A orientação do Procon-SP é que o consumidor obtenha todas as informações necessárias antes de contratar o empréstimo. Dados sobre o valor total financiado; a taxa mensal e anual de juros; os acréscimos remuneratórios, moratórios e tributários e o valor e periodicidade das prestações, que os bancos devem fornecer prévia e adequadamente ao interessado no crédito. Os dados devem constar no contrato. Se, obtido o crédito, o empregador descontar na folha de pagamento um valor diferente do acertado no banco, o consumidor deve entrar em contato com a instituição financeira e o setor de recursos humanos da empresa ou o órgão público para comunicar. Se for malsucedido, deverá procurar as instituições de defesa do consumidor.

Diário do Nordeste