Calendário e falta de vagas atrapalham alunos

Ano letivo nas escolas municipais começa em maio; algumas turmas foram desativadas devido à evasão

O ano letivo da Rede Municipal de Fortaleza vem seguindo uma rotina adotada desde 2006: as aulas das escolas públicas só terminam no ano seguinte, precisamente, em abril. E haja paciência para enfrentar um calendário de provas e aulas fora de época. Para completar o caos no ensino público municipal, muitos professores entram de licença-médica, dificultando ainda mais o já castigado sistema.


As matrículas das escolas municipais começaram na última segunda-feira. Na Escola Municipal de Ensino Fundamental São Rafael, na Praia de Iracema, a maior procura é justamente por turmas já lotadas ou desativadas Foto: Kelly Freitas

A bagunça é traduzida no calendário de matrículas. Desde a última segunda-feira, pais de alunos novatos estão à procura de vagas em diversas escolas municipais. Muitos pedem transferência na esperança de uma vaga perto de casa.

Na Escola Municipal de Ensino Fundamental São Rafael, na Praia de Iracema, existem algumas vagas. Mas a procura é justamente por séries já lotadas ou desativadas.

É o caso dos 6º e 7º anos. “Alunos difíceis, adolescentes rebeldes, a evasão escolar se acentua”, comenta Cristina Mendonça, diretora da unidade. Até o ano passado, eram seis salas de aula destinadas ao 6º ano. Para 2013, serão apenas três. A justificativa para diminuição em 50% das turmas se deve, segundo a direção da escola, à evasão escolar, em torno de 10% a 20%. Segundo Cristina, 346 alunos estão matriculados para o ano letivo que começa em maio. Ao todo, são ofertadas 378 vagas.

A escola atende bairros vizinhos como Centro – onde se concentra o maior número de alunos – Praia de Iracema, Moura Brasil, e as comunidades Poço da Draga e Graviola. Dos alunos que utilizam transporte escolar, 60% residem no Centro.

Segundo a direção da escola, desde o ano de 2006, a Rede Municipal de Ensino vem sofrendo com sucessivas greves, que modificaram drasticamente o ano letivo. Calcula-se que sejam dois meses inteiros de déficit escolar. Cristina aponta como possível solução a aplicação de um calendário escolar de aulas-extras aos sábados, ou adotar o mês de julho como mês de aula.

Conforme informações da assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Educação (SME), o ano letivo de 2013 começará oficialmente em maio deste ano, no entanto, não há uma data específica. A liberação do calendário de início das aulas será liberado, conforme a SME, nos próximos dias.

Acompanhamento

A Comissão de Defesa do Direito à Educação (Cedeca) realizou, de 28 a 31 de janeiro, o acompanhamento do processo de matrícula antecipada de alunos para a Educação Inclusiva e Ensino Profissionalizante na rede pública de ensino em Fortaleza. O objetivo é verificar se está ocorrendo divulgação adequada do processo e se as crianças com deficiência estão sendo matriculadas.

O Cedeca registra queixas de pais. “São muitas reclamações”, garante Laudemir Gomes, assessor comunitário do órgão. “As pessoas estão revoltadas com a falta de vagas”, afirma.

ELIELDO TRIGUEIRO
ESPECIAL PARA CIDADE

Diário do Nordeste