Vítima de agressão acusa professor de estimular violência

Professor e alunos da escola Prof. Paulo Freire estão sendo ouvidos
– FOTO: THIARA NOGUEIRA/ESPECIAL PARA POVO%U018E

Nervoso com a presença da imprensa, ele segurava uma avaliação bimestral que continha o nome de um professor de Educação Física que, com uma piada, teria provocado uma discussão entre alunos. Bastou uma pergunta e o jovem passou a falar, freneticamente, sobre o que houve em sala de aula e nas proximidades do colégio, na última quarta-feira, quando foi violentamente espancado por cerca de 10 alunos. No fim do relato, a conclusão do jovem foi a de que, caso uma brincadeira infeliz não tivesse sido feita pelo educador, nada de grave teria ocorrido.

 

“O professor levantou o comentário de que nós éramos gays. Isso deu origem a uma discussão na sala. Um garoto começou a me xingar, falar da minha mãe, e eu respondi. Ele passou a me ameaçar e disse que me pegaria lá fora”, contou o jovem de 14 anos, que seria o alvo das agressões também sofridas por um colega. Seu amigo, de 16 anos, tentou defendê-lo e acabou sendo surrado. O garoto está internado, desde então, diagnosticado com um coágulo na cabeça.

 

O crime ocorreu ao fim das aulas do turno da tarde, próximo à Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (E.E.F.M.) Professor Paulo Freire, na avenida Senador Fernandes Távora, no bairro Henrique Jorge. “Eles nos esperaram na esquina. Acho que eram mais de 10 pessoas, todos alunos da escola. Meu amigo levou chutes na cabeça e chegou a ficar um minuto inconsciente. Só pararam de bater quando um homem de moto separou”, relembrou o jovem.

 

“Ele não merecia”

 

O POVO conversou com o adolescente na residência do colega que se encontra internado no Hospital Batista Memorial. Na ocasião, o pai do jovem hospitalizado lamentou o ocorrido. Inconformado e por vezes emocionado, o homem ainda buscava resposta para as agressões: “Como pai, estou sentindo e sofrendo a dor do meu filho. Não tem explicação. Ele é um menino bom. Não merecia isso. Todo mundo no bairro fica estarrecido quando ouve essa história. Nada justifica”.

 

Já se passaram seis dias desde o episódio da agressão. O jovem continua internado. Desde o incidente, seu amigo não tem frequentado as aulas do 8º ano. “Decidimos que era melhor deixar a poeira baixar, porque os caras ainda podem estar querendo me pegar”. “Os caras” a quem o jovem se refere seriam um colega de sala e vários alunos de outras séries. Ontem, o garoto disse que iria faltar a aula novamente para visitar o amigo no hospital. “Se não fosse ele teria acontecido algo pior”, comentou.

 

Novamente, O POVO tentou ouvir o professor de Educação Física acusado de ter estimulado a agressão sofrida pelos alunos. A diretora da escola informou que o educador não havia chegado ao local. Ela negou-se a falar sobre o caso e orientou que a Secretaria da Educação do Estado (Seduc) fosse procurada. Os contatos do O POVO foram disponibilizados para serem repassados ao professor, mas não houve retorno.

 

ENTENDA A NOTÍCIA

 

Segundo uma das vítimas, o professor teria insinuado que os alunos eram gays. O comentário originou uma discussão em sala de aula. Após trocas de insultos, os adolescentes foram agredidos em uma esquina próxima ao colégio.

 

O Povo