Alunos e professores cobram melhorias em universidades

Alunos e professores das três universidades estaduais do Ceará realizaram manifestação para cobrar melhorias nos campi e nas condições de ensino. O principal pedido foi o de concurso para professores efetivos

Cerca de 200 alunos e professores das três universidades regidas pelo Governo do Estado realizaram uma manifestação ontem, na sede da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), no Centro Administrativo Bárbara de Alencar, antigo Palácio Iracema. Os manifestantes pediram que todo o grupo fosse atendido pelo secretário-adjunto da Secitece, Almir Bittencourt. Mas o gestor afirmou que, por falta de local apropriado, não receberia um grupo superior a dez pessoas. Por conta da recusa, a conversa foi interrompida.

Os manifestantes vieram de cidades como Juazeiro do Norte, Crato e Iguatu. O pedido dos discentes e docentes da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e Universidade Regional do Cariri (Urca) tem três pontos principais. O primeiro é a realização de concurso público para professores efetivos. Tanto para preencher vagas em aberto, como para a criação de novas vagas.

“Em 2009, foi acordado concursos para preencher essas vagas de morte, aposentadoria ou exoneração, mas não levam em consideração que tinham vários professores temporários contratados. E essas vagas não serão preenchidas pelo concurso”, ressalta a professora Zileide Queiroz, da Urca. Conforme o presidente do Sindicato dos Docentes da Uece (Sinduece), Epitácio Macário, o quadro de professores está defasado em 640 vagas, 312 somente nos campi da Uece.

A segunda reivindicação pede a efetivação do Plano de Cargos e Carreiras para os servidores. O documento, que está pronto desde maio de 2011, foi discutido e alterado pela própria Secitece, mas ainda não foi colocado em prática. A terceira, mais geral, exige a infraestrutura adequada para os cursos já oferecidos. “Chegamos ao limite de não haver, por exemplo, uma sala de aula limpa e banheiros com o mínimo de higiene”, destaca Oderlânia Leite, professora da Urca e vice-presidente do Sinduece.

O grupo de dez representantes foi recebido pelo secretário-adjunto, que negou ter conhecimento das reivindicações. Segundo ele, a reunião deveria ter sido agendada, para haver uma preparação da secretaria para receber os alunos e professores. Segundo Almir, o Estado tem realizado concursos para preencher as vagas deixadas pelos professores. Sobre a melhoria das condições estruturais, ele afirma que foi solicitado um estudo com os valores orçamentários e, até agora, a Secitece não recebeu o documento de nenhuma universidade. Oderlânia Leite nega a informação e diz que o estudo da Urca foi entregue em maio de 2011.

ENTENDA A NOTÍCIA

De acordo com alunos e professores das universidades estaduais cearenses, as reivindicações vêm sendo discutidas por longos períodos com a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), mas ainda não foram postas em prática.

Saiba mais

O titular da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), Renê Barreira, estava numa conferência da Rio + 20, no Rio de Janeiro, e não pode receber os manifestantes.

Cerca de quatro viaturas do Ronda do Quarteirão e outras três do Comando Tático Motorizado faziam a vigilância durante a manifestação, que foi pacífica. Os estudantes, no entanto, não entendiam a necessidade da vigilância.
As principais reivindicações são: pedido de infraestrutura adequada para os cursos, concurso para a abertura de novas vagas para professores efetivos e restaurante universitário em todos os campi.

Angélica Feitosa
O Povo