Educadores criticam intenção do MEC de realizar só um Enem

Além de avaliar a qualidade do ensino médio no país e servir como instrumento principal de ingresso ao ensino superior, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é também um prato cheio de polêmicas. Recentemente, o ministro da educação Aloízio Mercadante se declarou favorável a realização de apenas uma edição do Enem por ano após o Ministério da Educação (MEC) confirmar o cancelamento da 2ª edição da prova em 2013. A posição do ministro gerou críticas e discussões entre educadores.

A expectativa é de que o edital da próxima edição do Enem seja divulgado em maio, a exemplo do que ocorreu nos últimos anos. O presidente da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara é, em contraponto ao ministro Aloízio Mercadante, um defensor das duas edições do Enem. Daniel, noentanto, reforça que o principal caráter do exame é abrir as portas da educação superior. “Precisamos deixar claro qual é o caráter principal do Enem: como avaliador do ensino médio uma edição apenas seria suficiente. Mas considerando o Enem como instrumento de ingresso nas universidades, que é primordial, o ideal é manter as duas edições”, afirma o educador, referindo-se a proposta original, de 2011, de realizar uma prova em abril e outra em outubro ou novembro.

Daniel Cara defende essa postura em função do volume de concorrentes em relação às oportunidades. Ele lembra que ter o dobro de estudantes realizando o Enem é equivalente ao dobro de chances de ingressar no ensino superior. “Dividindo o sistema em duas aplicações por ano, nós teremos duas vezes o mesmo volume de concorrentes. Uma edição a mais pode também ajudar àqueles que não conseguiram na primeira vez. É mais uma oportunidade de ingresso em uma universidade”.

Analisando o Enem além de sua proposta principal de inserir estudantes no ensino superior, o ex-reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e atual membro do Conselho Estadual de Educação do Rio, Nival Nunes, enxerga todo um processo pedagógico refletido no exame. “Em duas edições o estudante exerce mais experiência. O exame pode ser uma metodologia de teste para o aluno. No ano do vestibular todos ficam muito tensos. É um rito de passagem, mas para o adolescente que realiza a prova é muito difícil tomar a decisão de uma profissão. Nós podemos trabalhar, com o Enem, várias questões do ponto de vista pessoal e de carreira do estudante”, ressalta

Um dos argumentos para realizar apenas uma edição anual do Enem seria o alto custo com a preparação e realização da prova. A última edição do Enem custou cerca de R$271 milhões aos cofres do governo. No entendimento do MEC, estes recursos poderiam ser gastos em outros projetos do ministério.

O argumento econômico, no entanto, não convenceu os educadores. Nival Nunes, por exemplo, salienta que a prioridade do Enem é inserir estudantes nos cursos superiores. “Temos o pré-sal e o Plano Nacional de Educação (PNE) para aplicar recursos para a educação. Com o Enem temos que gastar o for que necessário. É um exame nacional e precisamos aperfeiçoá-lo”.

Folha Dirigida