Nova gestão podem afetar ensino municipal

Sara Oliveira
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A tentativa de estabelecer um melhor controle administrativo e financeiro sobre os profissionais do magistério na rede municipal de ensino em Fortaleza determinou, no dia 24, a relocação de aproximadamente 400 professores. A decisão, além de resultar no fechamento temporário de 236 laboratórios de informática e cerca de 200 bibliotecas, interromperia processos educacionais inovadores e de referência. A atitude da Secretaria Municipal de Educação (SME) foi repensada e, amanhã, o titular da Pasta, Ivo Gomes, conhecerá os detalhes do trabalho desenvolvido, antes de executar a nova lotação dos professores.

A portaria 04/2013 considerava a carência de docentes em sala de aula e, portanto, convocava, também, vice-diretores, professores em estágio probatório (nos três primeiros anos de exercício) ou lotados dentro da SME. Uma nova política educacional seria responsável por preencher as vagas, entretanto, sem data prevista ou perspectivas de novo concurso público. As novas lotações estavam programadas para iniciar, hoje, e o ano letivo termina em abril e recomeça no mês seguinte, não havendo tempo hábil para novos processos seletivos.

“Vemos, no Brasil, a falta de bibliotecas. Em Fortaleza, elas existem e ainda têm uma professora que estimula a leitura. A medida abrange, ainda, docentes lotados no Centro de Referência do Professor (CRP), que desde 1999 oferece capacitações em informática educativa.

As mudanças que a nova gestão implantará na Educação de Fortaleza inclui seleção para diretores das escolas – desde 2004, o cargo era resultado de indicações políticas – e para chefes dos seis Distritos de Educação. “Entendemos que a desvinculação dos cargos aos políticos é correta, mas estamos dialogando para que, após o processo seletivo, sejam feitas eleições, valorizando o processo democrático e destacando a importância da liderança nas escolas”.

INFORMÁTICA+EDUCAÇÃO= APRENDIZADO
Aprender a multiplicar e dividir através de cores e formatos; soletrar palavras com ajuda de mãozinhas com polegares positivos; ou conhecer os animais vertebrados os vendo mexer, na tela no computador. Estas são algumas das atividades elaboradas pelos professores dos Laboratórios de Informática Escolar (LIE), e repassadas aos alunos. A dinâmica inovadora e pautada pelo Programa Nacional de Informação na Educação (Proinfo) resulta em mais qualidade de ensino, uma vez que estabelece a ligação entre a modernidade da informática e a necessidade de aprendizados básicos.

“A informática na Educação não é apenas uma ferramenta, é linguagem. Como toda linguagem, é preciso apropriar-se dela para evoluir e comunicar-se”, concluiu a professora Liduína Vidal de Almeida, lotada desde 2005 em um dos LIE da rede. Ela explicou que o laboratório é uma sala de aula e, portanto, necessita da presença de um professor. “Ajudamos, inclusive, na alfabetização no Programa de Alfabetização na Idade Certa (Paic)”, acrescentou Liduína.

As capacitações e as formações adquiridas após a inserção do professor na rede municipal de ensino, mesmo que necessários diante da rápida evolução da Educação, não seriam valorizados, de acordo com a portaria da SME.

Os professores convocados à nova lotação seguiriam para “tapar buracos” de professores substitutos, sem a possibilidade de voltar à sua lotação original. “Espero que ele compreenda a importância do projeto para os alunos”, destacou Liduína, referindo-se à apresentação dos trabalhos ao secretário de Educação.

O Estado – CE