Projeto promove leitura nas escolas

Estudantes têm mais contato com os livros e, assim, apresentam melhora no vocabulário e na redação

As obras preferidas dos alunos são os clássicos infantis. De acordo com o organizador, eles chegam a brigar para participar das aulas Foto: Marília Camelo

Há 16 anos, os estudantes do 4º ano da Escola Municipal de Educação Infantil e Fundamental (Emeif) Maria Bezerra Quevedo, no bairro Novo Mondubim, e também da Padre Antônio Monteiro da Cruz, no Parque Santa Rosa, vêm apresentando grande melhora na leitura e escrita devido ao Projeto Confraria de Leitura. A iniciativa incentiva a leitura e socialização de 100 alunos.

O organizador do projeto e professor de História, João Teles de Aguiar, conta que sempre trabalhou em escolas públicas, desde que se formou. Assim, pôde perceber que os estudantes tinham pouco contato com livros, e isso fazia com que eles não fossem bem nas redações.

Com o objetivo de mudar essa situação, Aguiar criou o projeto Confraria de Leitura. “Aqui, eles têm prazer em ler. Em outras aulas ou dentro de casa, os estudantes não têm todo esse tempo para conhecer as obras”, diz.

Ele acrescenta que o incentivo deu tão certo que alguns estudantes chegam a brigar para participar das aulas. Os jovens também fazem questão de levar os livros para ler em suas casas.

“O resultado é tão positivo que podemos ver até no jeito deles falarem, pesquisarem e argumentarem. Antes, era normal dizer que algo é legal. Mas, hoje, eles usam novas palavras e têm várias ideias. O texto ficou mais rico”, explica o professor.

Aguiar ressalta que as mudanças foram graduais, pois os alunos chegam ao 4º ano com problemas de leitura e nem todos os professores têm o tempo necessário para realizar o trabalho exigido pela iniciativa.

Clássicos

De acordo com o organizador do projeto, os livros que os estudantes mais gostam são exatamente dos clássicos infantis. “Essa é uma aula bem solta. Portanto, são os alunos que escolhem o livro que querem ler e decidem se vão lê-lo até o fim ou trocar por outro”, disse.

O professor lamenta que a implantação do projeto em outras escolas não deu certo. “Aqui, eu não deixo a chama apagar, mas é porque eu gosto muito de ajudar os alunos. É algo que dá trabalho e precisamos de muito esforço”, analisa Aguiar.

A estudante Yasmin Fernandes Macedo, nove anos, sempre gostou de ler, mas foi devido ao Projeto Confraria de Leitura que ela realmente conheceu o mundo da literatura. “A minha redação melhorou muito depois que eu comecei a ler vários livros na escola. Por isso, não quero parar de ler nunca”, disse a aluna da Emeif Maria Bezerra Quevedo.

Histórias

Ela ressaltou que os livros que mais gosta são o do Sítio do Pica-Pau Amarelo. O motivo é o grande número de personagens. “Todos são muito interessantes e deixam a história divertida”, frisou.

Já o estudante José Maurício do Nascimento, 11 anos, também da Emeif Maria Bezerra Quevedo, aproveitou que conheceu vários jovens, que, assim como ele, gostam de ler, para fazer várias amizades. “Assim a leitura sempre fica mais divertida”.

O garoto comentou que, antes mesmo de fazer parte do projeto, já gostava muito de ler livros em sua casa. No entanto, agora, o número de obras lidas aumentou bastante. “Para mim, qualquer tipo de livro é bom”, destaca.

THIAGO ROCHA
REPÓRTER

Diário do Nordeste