Uso de eletrônicos na sala de aula preocupa docentes

Lei municipal que proíbe a utilização de aparelhos nas escolas ainda não é respeitada pelos estudantes

Uma lei que proíbe o uso de aparelhos eletrônicos e celulares entrou em vigor em março de 2011, mas depois de um ano e sete meses, a situação ainda é preocupante. Principalmente depois que as redes sociais começaram a dominar o setor mobile.

Redes como Instagram, Twitter e Facebook são os vilões da concentração no colégio FOTO: TUNO VIEIRA

Luiza Lima é professora de uma escola municipal no bairro da Serrinha. Ela ensina alunos com idades entre 11 e 16 anos, e explica que alguns alunos ainda tentam utilizar os celulares para acessar, por exemplo, Facebook e Twitter durante o horário das aulas. Apesar da fiscalização, já foram registrados casos de alunos que fazem imagens com celulares dentro da sala de aula, inclusive publicando fotos de professores nas redes sociais. “São muitos alunos, então fica difícil controlar quem está com algum aparelho”, lamenta.

A professora acredita que a atividade pode atrapalhar o aprendizado. “Tudo é motivo para dispersar os alunos. Principalmente as redes sociais, como Facebook e Twitter”, explica.

Incentivo

Mas para amenizar a situação de dispersão, que não é incomum na sala, a professora Luiza Lima consegue inserir, no horário adequado, as redes sociais nas aulas e complementar os trabalhos escolares. “Tiro fotos deles fazendo atividades e, quando fazem algum trabalho diferente, incentivo para que registrem imagens e compartilhem nas redes sociais”, completa.

Pesquisa escolar

As redes sociais também podem ajudar na educação. De acordo com um estudo da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, os estudantes que utilizam Twitter como parte dos processos de aprendizado são mais comprometidos com o curso que fazem e têm notas maiores.

A pesquisa afirma que o microblog se tornou uma nova “prática literária”. A idealizadora da pesquisa, Christiane Greenhow, afirma que tuítar pode ser pensado como uma nova prática literária, e que está mudando a maneira como aproveitamos o que lemos e o que escrevemos.

O estudo mostra que o uso do Twitter entre adolescentes americanos dobrou em menos de dois anos. Caroline acredita que o formato “tempo real” do microblog permite que estudantes possam escrever de forma concisa, fazer pesquisas com resultados atualizados e, eventualmente se comunicando diretamente com autores e pesquisadores.

Nas universidades

Serginho Aragão, é professor universitário em três faculdades de Fortaleza. Ele explica que as redes sociais não se tornaram problemas na área universitária.

Serginho explica que, na faculdade, a proibição é opcional. Alguns professores banem o uso de celular e outros liberam. Ele acredita que o professor tem que tornar a aula um momento interessante. “Se você pega um professor que tem um conteúdo chato, o aluno vai procurar algo mais interessante para fazer”, ressalta o docente.

Para o professor, são vários elementos que vão dispersar o aluno em uma aula. “Se não é uma rede social, pode ser um companheiro ao lado ou uma revista”, disse. Para ele, se houver proibição para elementos dispersivos, vão proibir alunos de entrarem com revistas e muitos outros materiais em sala.

Proibição

A Secretaria Municipal de Educação (SME) informou que a lei que proíbe o uso de aparelhos eletrônicos na sala de aula é devidamente repassada às escolas e que, dentro do laboratório de informática, não é permitido acessar redes sociais e nenhum tipo de página com conteúdo adulto na internet.

Avaliação

Ainda de acordo com a Secretaria Municipal de Educação, há integração entre os professores, diretores, coordenadores e a secretaria em relação a orientação de todos para seguir as regras. Mas a responsabilidade de fiscalizar os alunos é da escola e dos professores.

A Secretaria apenas avalia as situações, mas punições, por exemplo, devem ser aplicadas pela própria escola de acordo com a gravidade do caso.

Diário do Nordeste