Especialista revisa três décadas de arquitetura brasileira

Conhecido como o “arquiteto das estrelas”, Léo Shehtman ministra palestra inaugural amanhã na Unifor

A abertura do curso de Especialização em Arquitetura de Interiores da Universidade de Fortaleza (Unifor) será em grande estilo. É que a aula inaugural da pós-graduação, com duração de 18 meses e destinada a arquitetos, designers de interiores e áreas afins, será ministrada pelo renomado arquiteto e designer Léo Shehtman, atuante no mercado desde a década 1980 – tempo suficiente para escrever seu nome no cenário da arquitetura nacional e também em projetos no exterior.

Conhecido como o “arquiteto das celebridades”, Léo Shehtman vai proferir a palestra “A evolução da arquitetura no Brasil”, na próxima terça-feira, dia 20, às 19 horas, no auditório da biblioteca da Unifor. Simpático e modesto, Léo Shehtman retribui o título de “arquiteto das celebridades” afirmando: “todo meu cliente é uma estrela”, ri.

Sobre a palestra, o paulista prefere dizer que será um “bate papo para troca de experiências”, justificando que, em tempos de Internet, todos têm acesso às informações. Mas promete falar um pouco sobre o extenso tema da evolução da arquitetura no Brasil. Um dos recortes, certamente, será os período dos últimos 32 anos, tempo de sua atuação no mercado.

Para Léo Shehtman, nesse período “o Brasil passou por uma grande mudança”. A transformação não aconteceu apenas na forma de conceber os projetos e de utilizar os materiais, mas passa pela valorização da atividade em si. E, melhor ainda, pelo reconhecimento dos profissionais. “A profissão está extremamente valorizada e o mercado cresceu muito”, festeja Shehtman.

Afinal, nada mais gratificante do que perceber que existe uma “necessidade da arquitetura”. Shehtman destaca a arquitetura de interiores, que ganha cada vez mais projeção como um dos principais setores a materializar esse novo momento. “Nossa arquitetura agrada a todo mundo”, reconhece.

O arquiteto paulista fala com entusiasmo do seu trabalho, que, segundo ele, “pode influenciar no estilo de vida das pessoas”. Explica que a criação de um projeto arquitetônico significa adaptação do espaço construído ao estilo de vida dos seu morador. “Nesse aspecto estamos sendo reconhecidos e valorizados”, diz, esclarecendo que as pessoas começam a entender qual o papel do arquiteto na sociedade. Com relação à concorrência, quando leal, é salutar ao mercado. “Hoje, o mundo está se especializando, daí os reflexos nas demais atividades. A arquitetura também seguir essa tendência”. Com relação à arquitetura sustentável, bastante comentada nas últimas décadas, sobretudo diante da consciência da estagnação dos recursos naturais não-renováveis, Shehtman diz que “ela sempre existiu”, mas acredita que ficará para as próximas gerações.

Segundo ele, além de envolver custos mais altos, é difícil para as pessoas compreenderem. No entanto, é possível perceber a conscientização sobre a importância da preservação dos recursos. Shehtman acredita que a opção por materiais sustentáveis, como as lâmpadas de lead, é um dos sinais de que a população começa a mudar.

Léo Shehtman realiza projetos de construção, reforma e interiores, além de atuar como designer. A palavra design, aliás, era desconhecida até pouco tempo no Brasil. “Tudo tem design”, afirma, comemorando a valorização não apenas da palavra, que ficou mais conhecida das pessoas, mas também dos profissionais, que ganharam reconhecimento.

De acordo com informações do coordenador do curso, professor Rodrigo Porto Oliveira, a palestra será aberta ao público, embora a prioridade seja dos alunos. Porto destaca ainda que a pós-graduação prima pela excelência. “Todos os professores são mestres e doutores”, observa, esclarecendo se tratar de especialização lato sensu – ou seja, com pontuação acadêmica.

Mestre em Arquitetura e Urbanismo, o professor Rodrigo Porto explica que a formação do arquiteto possibilita várias opções quanto ao mercado de trabalho. Uma dos nichos mais promissores na atualidade é o da arquitetura de interiores.

O curso tem o objetivo de aprimorar a formação daqueles profissionais de arquitetura e de áreas afins que desejam ingressar no setor.

“Hoje é a área mais atrativa”, diz, justificando a realização do curso. Com bastante experiência, explica ainda que designers de interiores com graduação tecnológica podem participar. O curso vai possibilitar aos participantes o conhecimento sobre a versatilidade do trabalho da arquitetura de interiores, que não se resume apenas a casas ou condomínios.

Pelo contrário, a atuação profissional inclui outros espaços como interiores de aviões, barcos, automóveis, cenografia teatral, cenários para desfiles, criação de móveis, acessórios e objetos utilitários (como luminárias) ou apenas de decoração. Outro aspecto importante, ressalta Rodrigo Porto, é como trabalhar o fluxo nesses espaços, divididos de acordo com a vida e o cotidiano das pessoas.

O arquiteto faz referência ao aproveitamento dos espaços. São temas que serão estudados e discutidos pelos alunos, diz, destacando a parceria com Associação Cearense de Empresas de Decoração (Aced) para a realização de eventos, como palestras, workshops e seminários. “São nossos parceiros”, reforça.

Expansão

Conforme analisa Rodrigo Porto, a arquitetura de interiores representa uma fatia de mercado que está sempre em expansão. No momento, as facilidades para o financiamento da casa própria têm contribuído para aumentar o número de pessoas que procuram os profissionais para realizar reformas e projetos de ambientações. “Um prédio com 100 apartamentos, pelo menos 70 vão chamar um arquiteto”, compara, explicando que as moradias atuais são diferentes de há 20 anos. As casas se tornaram mais compactas, daí a necessidade de saber aproveitar bem o espaço, sendo indispensável a orientação e o acompanhamento de um profissional, que evita o desperdício de tempo, material, dinheiro, além de proporcionar um resultado que alia conforto e estética.

“Lidamos com muita responsabilidade”, afirma, completando que, hoje, “ninguém aceita mais fazer a sua casa”. Em outras palavras, as pessoas buscam os profissionais.

Os próprios meios de comunicação, em especial a televisão, contribuem para maior conscientização sobre o assunto. Mesmo afirmando que “todo projeto é personalizado”, acredita que as pessoas acabam trazendo alguma ideia da mídia; as novelas, muitas vezes, servem de referencial.

Outro dado é que cada vez mais a arquitetura, sobretudo a de interiores, deixa de ser apenas objeto de desejo de grande parte da população. Aos poucos, ela está se encaixando no orçamento das pessoas de camadas mais populares da sociedade. “A maioria dos meus clientes são de classe média”, afirma, esclarecendo que há uma compreensão de que é possível fazer uma reforma, construir uma casa ou fazer uma decoração de interiores com projetos de baixo custo.

Grande estilo

“Nossa ideia era trazer alguém de renome nacional e até internacional”, diz Rodrigo Porto, justificando a opção pelo chamado “arquiteto das estrelas”. O coordenador cita nomes como o da atriz Cláudia Raia e do apresentador Gugu Liberato, cujos projetos residenciais Shehtman assina, além de trabalhos cenográficos para algumas novelas da Rede Globo.

O arquiteto e designer pauta sua atuação investindo na inovação e funcionalidade das criações e misturando materiais. Perfeccionista, “o arquiteto das celebridades” aposta na modernidade.

Léo Shehtman assina diversos projetos Brasil afora e também no exterior, tendo como marca registrada o desejo de estar sempre à frente do seu tempo. Daí a aposta nas novidades, aliando funcionalidade ao seu design arquitetônico. Sua produção anual soma em torno de 60 trabalhos.

Mais informações:

Palestra com arquiteto Léo Shehtman. Amanhã, às 19h, no auditório da biblioteca da Unifor. Aberta ao público. Contato: (85) 3477.3400

Diário do Nordeste