Professor deveria ganhar R$ 9 mil, afirma Cristovam Buarque

O Dia do Professor, celebrado ontem, motivou uma série de discursos no Plenário do Senado, sempre em apoio aos profissionais de ensino, ressaltando a importância deles para a sociedade e a necessidade de ­melhor remuneração no Brasil.

Mais de uma vez foi citada pesquisa recente feita pela Fundação Carlos Chagas, por encomenda da Fundação Victor Civita, em que apenas 2% dos 1.500 alunos do último ano do ensino médio ouvidos demonstraram intenção de cursar algum curso de licenciatura ligado ao magistério. Os baixos salários e as más condições de trabalho foram apontados como razões do baixo interesse.

No Brasil, o Dia do Professor é comemorado em 15 de outubro em homenagem a Santa Teresa de Ávila, padroeira dos professores, e porque foi nessa data, em 1827, que o imperador dom Pedro I decretou que todas as cidades do país tivessem escolas de primeiras letras.

Cristovam Buarque (PDT-DF) afirmou em um desses discursos que o salário dos professores não deveria ser inferior a R$ 9 mil por mês. Segundo ele, é o valor médio pago à categoria em países como Chile e Coreia do Sul.

O senador contou que entregou à Presidência da República um documento com a proposta a ser implementada em 20 anos, mas não obteve resposta.

— Isso mostra um desprezo histórico do Brasil pela educação, pelo futuro — lamentou.

Cristovam lembrou que nenhum dos nove planos econômicos do país priorizou a educação. Ele disse que o salário dos professores na Europa e nos Estados Unidos é maior que a renda média dos cidadãos.

— Nos países ricos, os professores de ensino fundamental com mais de 15 anos de experiência ganham, em média, US$ 30 mil ao ano [cerca de R$ 60 mil].

O senador, que também é professor universitário, confessou que ficaria preocupado se um filho dele mostrasse disposição para o magistério. No entanto, bom salário não basta para repercutir na boa qualidade do ensino, segundo Cristovam: ele defende boa formação, dedicação exclusiva e equipamentos modernos, com federalização da educação de base.

Em pronunciamento, Romero Jucá (PMDB-RR) também reconheceu a importância do papel do professor na construção da ­cidadania e disse que ainda há um grande desafio pela frente, no sentido de atuar e fortalecer cada vez mais a educação.

— Sem professor bem equipado, bem remunerado e estimulado, a educação não prospera — afirmou.

O senador prestou uma homenagem a todos os professores de seu estado, Roraima, em especial os de Boa Vista.

Ele também mencionou aqueles que prestam serviço nas comunidades indígenas do estado.

Jornal do Senado 15/10/12