Alunos do Bolsa Família têm destaque no Ideb

O avanço foi percebido por meio da queda dos índices de reprovação; exigência da frequência seria um dos motivos

Alunos beneficiários do Programa Bolsa Família se destacam na avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), pelo menos conforme estudo do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Em Fortaleza, levantamento da Secretaria Municipal de Educação (SME) confirma uma melhoria de 3% no desempenho entre os alunos atendidos pelo programa.

Segundo a SME, entre os estudantes beneficiados, a presença escolar é de cerca de 82%, entre os outros, o índice fica em torno de 77% Foto: Viviane Pinheiro

O universo pesquisado inclui 18 mil alunos de um total de 22 mil do 5º ano do Ensino Fundamental da rede municipal aprovados entre os anos de 2010 a 2011. A afirmação é do coordenador de Informações e Pesquisa da SME, Iran Maia, explicando que, nessa série, o avanço no rendimento escolar foi perceptível através de queda nos índices de reprovação.

Iran Maia apontou que colabora para o resultado registrado a exigência da frequência escolar para o recebimento do Bolsa Família. “Entre os alunos beneficiários, a presença em sala de aula oscila em 82%; nos demais estudantes, em torno 77%”, citou. Atualmente, esclareceu, o valor do benefício varia de R$ 32 a R$ 306, conforme a renda e número de pessoas atendidas em uma mesma família.

Já a Secretaria da Educação Básica do Estado (Seduc) explicou não ter recebido, ainda, os dados do MDS, mas, assim que tiver acesso ao estudo, poderá se manifestar sobre o assunto.

Políticas de educação

As pesquisas sobre o Bolsa Família indicam questões de gestão escolar e educacional. O primeiro item refere-se às problemáticas das escolas e o segundo às políticas voltadas para a área de educação, observou a professora Sofia Lerche, do Centro de Educação da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

Os estudos denotam, ressaltou Sofia Lerche, que o Bolsa Família é importante na medida em que se constitui num elemento de estímulo à frequência dos alunos, uma vez que condiciona o recebimento do benefício ao comparecimento na escola.

“O simples fato de não faltar às aulas já é um estímulo à aprendizagem”, disse a professora. “A criança que um dia vai ao colégio e no outro falta não alcança o mesmo desempenho”, frisou, lembrando que o ensino dos conteúdos têm relação expressiva com o tempo no qual os estudantes são expostas às possibilidades de acesso ao conhecimento.

Aprendizagem

Por sua vez, a professora da Uece, Eloisa Vidal, acrescentou que o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e o Ministério da Educação (MEC) só dispõem de mecanismos para auferir a frequência escolar, mas não é possível medir desempenho e a aprendizagem.

“O mecanismo de monitoramente é da frequência, ou seja, quantitativo mas não é qualitativo”, comentou Eloisa Vidal, que é doutora em educação e pesquisadora da área de Políticas e Gestão Educacionais.

A cada dois meses, lembrou, o MEC repassa ao MDS a frequência dos alunos de famílias inscritas no programa.

MOZARLY ALMEIDA
REPÓRTER

Diário do Nordeste