Especialistas defendem estudo religioso atrelado às aulas de história

Por Luana Costa, do Blog Educação

Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, no artigo 33, determina que o estudo religioso nas escolas públicas seja parte integrante da formação básica do cidadão, podendo ser disciplina regular nos horários normais do ensino fundamental. Em um país como o Brasil, considerado laico e com vasta diversidade religiosa, ensinar religião pode ser um grande desafio para os educadores. Será, então, que as escolas estão preparadas para oferecer um estudo religioso capaz de respeitar a opção religiosa dos alunos?

Para o sociólogo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, Muniz Sodré, no Brasil não existe diversidade no ensino de religião. “Dentro das escolas, não vejo ninguém considerando as religiões afro-brasileiras ou o budismo, por exemplo. As aulas são compostas, basicamente, por ensinamentos cristãos”, afirmou.

Em 2003, o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, implantou a Lei nº 10.639 que altera a LDB e introduz a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-brasileira no ensino básico público e privado, incluindo o estudo da religião. Sodré, que também é especialista em cultura negra, acredita que a lei não alterou em nada o ensino religioso nas escolas. “Eu não creio que no estado atual da sociedade brasileira seja possível aos cultos afro-brasileiros serem inseridos nas escolas, apesar da lei”, disse.

O padre Luiz Claudio Winter Spolatori, diretor do Colégio Senador Fláquer, em Santo André (SP), ressalta que um dos maiores problemas da educação religiosa nas escolas é a falta de preparo dos educadores. “Um professor não habilitado pode dar aula de ensino religioso e acaba ensinando sob ótica própria, o que é bem ruim. Hoje, não temos um norteador para ensino religioso”, completou.

Para o padre, a religião tem o papel importante de formar um cidadão de fé, o que ajuda na formação da criança além da educação básica oferecida na escola. No entanto, Spolatori acha que, nas escolas, o direcionamento deve ser outro. “Sou a favor do ensino de antropologia e de história das religiões. O que seria da história da humanidade sem as religiões? Guerras poderiam ser evitadas, modelos de governo teriam sido diferentes, entre outras coisas. Acho que é esse o rumo que a educação deve seguir. O estudo da religião, cada um faz o seu”, afirmou.

Sodré concorda e ressalta que, para saber respeitar a diversidade, os alunos devem ter aulas de moral, ética e cidadania. “A criança deve aprender a respeitar a diversidade. As aulas deveriam focar no espírito da solidariedade, de como é importante fazer o bem ao próximo. A religião é uma questão privada”, afirmou.

O sociólogo não acredita no ensino religioso e afirma que, em um país em que a diversidade é predominante, a imposição de uma disciplina religiosa só aumentaria o preconceito já estabelecido na sociedade. “É quase impossível dar abertura para todas as religiões. Eu sou pessimista em relação a isso. É importante dar aulas de história das religiões, porque isso faz parte do cotidiano de milhões de pessoas. Mas, essas disciplinas poderiam estar atreladas  às aulas de história e sociologia”, completou.

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