Tudo em um mês

A pouco menos de um mês do evento, a Secult ainda não divulgou a programação nem iniciou contratações

A contagem regressiva já começou faz tempo, aliás, está perto do fim. A menos de um mês da realização da X Bienal Internacional do Livro do Ceará, quase nada da programação foi anunciado pela Secretaria da Cultura do Estado. Principal atividade voltada para o livro e a leitura no Estado, o evento está agendado para ocupar, durante 11 dias, de 8 a 18 de novembro, uma área de 23 mil metros quadrados do novo Centro de Eventos do Ceará.

Embora a organização garanta que a programação está quase fechada, ainda não foi iniciado processo legal de contratações de escritores, palestrantes e atrações musicais, bem como do fornecimento de equipamentos e serviços necessários. A única pista sobre a edição foi anunciada em maio passado, quando foi confirmado o nome do escritor e dramaturgo nigeriano Wole Soyinka, vencedor do prêmio Nobel de 1986 e a homenagem que será feita à Padaria Espiritual, grupo literário cearense do final do século XIX que está completando 120 anos.

Desencontro

Uma primeira polêmica já está à vista. “A licitação (para contratação permanente de empresas para a praça de alimentação) não estará pronta para a Bienal”. A informação é da assessoria de imprensa da Secretaria do Turismo. A Setur foi apontada por Eduardo Fideles, secretário adjunto da Cultura e líder da comissão de organização da Bienal, como o órgão responsável pela contratação dos restaurantes.

O coordenador não soube precisar detalhes sobre o funcionamento da praça de alimentação. “A praça de alimentação do novo Centro de Eventos é composta de 16 espaços que estão em processo de licitação pela Setur. Pela logística, a gente crê em mais oferta de serviço, com espaço melhor e mais adequado. Na ultima bienal tínhamos apenas dois restaurantes com 50 lugares”, pontua.

A Secretaria de Turismo, entretanto, retifica a informação. De acordo com a assessoria, a licitação em aberto diz respeito a contratação dos restaurantes que ocuparão permanentemente a praça de alimentação e não será concluída a tempo da realização da Bienal. Ainda segundo a assessoria, é de conhecimento dos organizadores do evento que a responsabilidade pelos restaurantes temporários para o evento é da organização.

Contratos

Para o recém-empossado secretário adjunto da Cultura, Eduardo Fidelis (antes à frente da Coordenadoria de Política do Livro e da Leitura), que lidera a comissão de quatro pessoas para a organização da Bienal, o curto tempo não é um problema. Segundo ele, a programação já está bem definida, com quase 100% das atrações fechadas, com margem para pequenas mudanças, que dependem da agendas de alguns convidados. “Temos já cerca de 120 nomes confirmados, de todas as regiões do Brasil, contemplando várias linguagens, interfaces. É uma programação muito rica, plural e diversificada”, garante.

Pautados por um planejamento estabelecido em abril do ano passado, sob a gerência do atual secretário, Francisco Pinheiro, a organização entra em dias decisivos para sua viabilização. Sem margem para qualquer atraso, eles contam com um cronograma bem apertado, mas, segundo Fidélis, suficiente para tramitações burocráticas.

“Ainda não começamos a publicar (no Diário Oficial) as contratações, mas os processos já estão em curso, já estão tramitando”, justifica o coordenador. Ele detalha que parte das atrações será contratada via inexigibilidade de licitação, visto que não é possível abrir concorrência para a contratação de determinado autor, e outra parte por contratação direta pelo Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC). “Já demandamos para lá uma serie de pagamentos”, diz.

Quanto à estrutura física, em parte serão contratadas por adesão a ata de registro de preço (o que na prática exime de abertura de licitação) e apenas os serviços onde não foi possível utilizar o artifício serão licitados. “Só estamos aguardando a Procuradoria Geral do Estado do Ceará (PGE) dizer a data que vai ocorrer. São licitações presenciais, é tudo muito rápido”, garante.

Orçamento

Na soma total, devem ser investidos algo em torno de R$ 6 milhões no evento. De acordo com Fidélis, R$2,209 milhões oriundos do Tesouro Estadual e R$1,450 captados por renúncia fiscal via Lei do Mecenato. O restante, em torno de R$ 2,5 milhões, será investido pela Secretaria da Educação para viabilizar a visitação de professores de todo o Estado, atividades do espaço infantil e vales para compra de livros por parte de professores e estudantes das redes pública do Estado e Município.

Dados mais concretos, como o nome de alguns participantes, explica Fidélis, só serão divulgados ao longo desta semana, seguindo determinação da assessoria de comunicação da Secult. “Isso já está bem definido. A gente vai disponibilizar no site da Bienal que ainda esta semana deve estar no ar”, reforça ele.

A programação estará dividida em, pelo menos, cinco espaços dentro do Centro de Eventos, entre eles, o espaço Natércia Campos, para escritores cearenses, o café literário, batizado de Café Java, o espaço infantil, com cerca de 1.500 metros quadrados de estandes e atividades dedicadas a este público, também um espaço para palestras e lançamentos de livros e outro para shows e atividades com maior potencial de público, como a palestra do Prêmio Nobel Wole Soyinka. Um outro espaço será exclusivo para a literatura de cordel.

“Estamos dando um ´plus´, enriquecendo a programação do Espaço Cordel, em relação a edição anterior, com maior diálogo e articulação com o segmento”, explica Eduardo Fídelis, da Secult.

Apesar das indefinições, a organização projeta uma edição maior em todos os quesitos, em comparação a de 2010. Mais atrações, mais público e maior volume de vendas. “Na última bienal, recebemos 350 mil pessoas; este ano acreditamos em 600 mil. Vamos chegar a R$8 milhões em movimentação financeira, passando de 280 mil títulos vendidos para 350 mil. A visitação escolar, em 2010, foi de 46 mil alunos. Agora, 60 mil.

A área total do evento também aumentou, passando 107 estantes para 165, agora, e de 45 mil livros expostos na anterior, para 60 mil”, diz Eduardo Fidélis, confiante em uma edição de acordo com o planejamento feito.

Mais informações

X Bienal Internacional do Livro do Ceará. De 8 a 18 de novembro, no Centro de Eventos do Ceará. Visitação gratuita de 9 às 22 horas.

FÁBIO MARQUES
REPÓRTER

Diário do Nordeste