Livros didáticos para o ensino médio terão de integrar matérias

Ministério da Educação fará a exigência no programa de compra de obras para escolas públicas

Governo espera que articulação entre disciplinas ajude a melhorar a qualidade nos colégios públicos

FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO

O Ministério da Educação decidiu que os livros didáticos a serem comprados para estudantes do ensino médio deverão ter seções que integrem diferentes matérias.

Assim, uma obra de física, em vez de ter só conteúdo da matéria, deverá conter atividades que envolvam filosofia e geografia, por exemplo.

A nova exigência constará no edital que será lançado neste ano para o PNLD, programa em que o governo federal compra obras para enviar às escolas públicas.

Os livros chegarão aos colégios em 2015. A relação de obras selecionadas também norteia a rede privada.

A intenção do ministério é induzir um início de mudança no currículo do ensino médio, para que ele tenha articulação entre as disciplinas.

A avaliação do ministério é que a organização dessa etapa de ensino é muito fragmentada entre as matérias, o que prejudica sua qualidade.

Além da mudança nos livros, a pasta diz que também definirá exatamente o que o aluno deve aprender -a articulação entre as matérias será um norte. Atualmente, há apenas diretrizes gerais.

NOTAS BAIXAS

Na última avaliação federal (Ideb), a média do ensino médio estagnou em um nível considerado insatisfatório pelo próprio ministério.

“O livro ajudará na articulação [de matérias]”, disse o secretário da Educação Básica da pasta, Cesar Callegari.

“Nem todos os professores de física, por exemplo, estão preparados para fazer conexões com filosofia. O livro didático pode dar o caminho.”

Segundo Callegari, atividades que integrem diversas matérias deverão ter boa presença nas obras, “não apenas em um apêndice”. Os detalhes estão sendo definidos.

No último programa de compra de obras para o ensino médio, o governo gastou mais de R$ 800 milhões, em quase 80 milhões de livros.

Para Nelio Bizzo, professor da Faculdade de Educação da USP, a ideia do governo é positiva. Ele afirma, porém, que a medida só será eficaz se o ministério deixar claro no edital o que espera das obras.

“Se a exigência for muito vaga, o ministério fica com um poder discricionário, quase arbitrário, para definir qual obra vai entrar.”

Folha procurou ontem a Abrelivros (Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares) para saber sua posição sobre o tema, mas ninguém foi localizado.