Política dos marqueteiros X Educação

Estou muito preocupado com os destinos de nossa Cidade pós – eleição no tocante à Educação, pois não consigo entender como os candidatos se preocupam apenas com a aparência e esquecem a real situação da Cidade onde a Educação é um item preocupante já desgastado pela falta de democracia no ambiente escolar e pela presença massiva de vereadores nas escolas tanto na nomeação de diretores quanto de terceirizados o que evoca um desprestígio na Educação que precisa de pessoas adequadas no local certo que conheçam a história da escola e do bairro em que a mesma está inserida.

O que causa preocupação é que a maioria dos candidatos postos faz o jogo do marketing e discursam em cima da miséria da população que não tem Saúde, não tem Segurança e não tem perspectivas de mudança de vida o que torna-se um prato cheio para promessas e ideias redentoras. Não vemos um plano para a Educação que seja consistente e o que se fala é de escolas em tempo integral que só podem gerar efeito real se tiverem um arcabouço de construção que incluam itens que tornem a escola mais atrativa que os males da rua e do mundo.
A ferida da Educação é crônica e o que se vê é discursar em cima de dores meramente imediatas de nosso povo sem preocupação com a estrutura de uma sociedade carcomida pela desigualdade social onde a escola do pobre tem de ser ruim, tem de ter professores desmotivados e tem de não ter aulas todos os dias além de ser marcada por pessoas despreparadas que hoje estão gerindo escola apenas pelo fato de ser amigo ou capacho de um vereador. A eleição é um momento de mudança, de construção de ideias, de debate real, mas infelizmente, a política marqueteira é pautada na lógica de fazer uma imagem irreal de um candidato que mais tarde vai tratar professores com spray de pimenta, cassetete e com palavras sempre no sentido de ridicularizar seu trabalho e sua importância. Essa prática real deve ser mudada, pois o professor e a Educação deveriam fazer parte de uma perspectiva da nova política e do novo modo de gerir uma cidade.

O sentido da visão nova da política para a Educação deveria ser uma meta dos candidatos que deveriam entender o valor dos professores que, hoje, estão doentes e cegos pelas condições em que são submetidos nas escolas públicas de nossa Cidade marcadas pela violência, pela desagregação familiar e pela falta de autonomia das escolas o que gera uma ineficiência de uma Educação comprovadamente falha e ineficaz. Vemos com tristeza professores nas ruas obrigados pela gestão a balançar bandeiras simplesmente para manutenção de um status quo que envergonha e dá tristeza a quem quer a Educação pública, gratuita, de qualidade e, sobretudo, democrática…

O Estado –  CE