Prefeito e servidores são afastados por desvio de verbas

Em decisão liminar, além de Emanuel Clementino Grangeiro (PSDB), foram afastados também o chefe de gabinete e cinco servidores municipais, para não obstruir as investigações. Cerca de R$ 343 mil foram desviados

O prefeito de Granjeiro, Emanuel Clementino Grangeiro (PSDB), o chefe de gabinete, José Wilson Ferreira, e outros cinco servidores foram afastados da Prefeitura da cidade. Eles são investigados por participar de suposto esquema que teria superfaturado seis processos licitatórios e desviado recursos públicos para as contas de 11 pessoas e duas empresas da região. O ex-tesoureiro do Município e atual candidato a prefeito pelo PSDB, José Rodrigues dos Reis, o Zuito, também faria parte do esquema, segundo o Ministério Público.

A decisão liminar, expedida ontem, é do juiz Gúcio Carvalho Coelho, da comarca de Caririaçu. Além de afastar os supostos envolvidos, o magistrado determinou quebra dos sigilos bancário e fiscal e indisponibilidade dos bens deles. De acordo com o promotor Leonardo Marinho, o objetivo é evitar obstrução das investigações, que devem prosseguir pelos próximos 30 dias. Ao fim desse período, o promotor pretende entrar com a ação de improbidade administrativa.

O esquema

MP e Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) rastrearam o dinheiro que deveria pagar obras de engenharia, como reformas de escolas, quadras poliesportivas, e da sede da Prefeitura. Os cheques eram apresentados em agência bancária, e os valores transferidos para as contas dos investigados.

Orçada em cerca de R$ 36 mil, a reforma do prédio do Executivo, na rua David Granjeiro, 104, por exemplo, não passou por alterações em sua estrutura, ainda que o recurso tenha sido inteiramente sacado, conforme Marinho. Outras obras teriam sido apenas parcialmente executadas. Cerca de R$ 343 mil vazaram dos cofres municipais neste esquema, pela apuração do MP.

O prefeito teria usado o nome da Ômega Construções, que não saberia de sua participação nas licitações, para efetuar o crime. Duas empresas, o Autoposto Várzea Alegre Ltda. e a Indústria de Britagem do Cariri, que também receberam parte do dinheiro, terão de explicar o envolvimento à promotoria.

O prefeito, o chefe de gabinete, o ex-tesoureiro, cinco servidores públicos e outras três pessoas teriam também recebido parte do recurso. Na ação principal, o MP pedirá o ressarcimento.

O caso está em segredo de Justiça. Procurado, o advogado dos investigados, Ivan Alves, deu essa justificativa para não se pronunciar: “Não posso descumprir decisão judicial”. O chefe de gabinete, José Wilson Ferreira, disse que não estava em “condições” de se pronunciar, por não saber do que se tratava a acusação. Os telefones de Clementino e de Zuito encontravam-se desligados até o fechamento desta matéria.

O quê

 

ENTENDA A NOTÍCIA

O caso encontra-se em fase de ação cautelar. Ou seja, uma medida preventiva e de efeito temporário. Somente após o fim das investigações, daqui a um mês, o MP deve entrar, na Justiça, com ação de improbidade administrativa.

Os investigados

Os investigados no esquema teriam recebido parte dos recursos públicos em suas contas. São eles:

O prefeito Emanuel Clementino Grangeiro;

O chefe de gabinete José Wilson Ferreira;

O ex-tesoureiro e candidato à Prefeitura, José Rodrigues dos Reis, o Zuito;

Os servidores públicos Antônio Gomes Silva, Aparecido Ferreira Lima, Meiryane Vieira Brito, Francisco Oliveira Sousa, Francisco Clementino Almeida;

Além de Margarida Maria Araújo de Alencar, Francisco Humberlan Pinheiro Soares, Cícero Cassiano de Souza;

E as empresas Autoposto Várzea Alegre Ltda. e Indústria de Britagem do Cariri.

Alan Santiago

O Povo