Formação do professor da educação especial ainda é um desafio, afirmam especialistas

Mariana Mandelli
Do Todos Pela Educação

Preparar o professor para ensinar a todos os alunos, com ou sem deficiência, sem praticar nenhum tipo de exclusão dentro da sala de aula, ainda é um grande desafio a ser superado. Segundo os pesquisadores em Educação Especial, a formação inicial dos docentes é inadequada nesse sentido.

“O curso deve ser alongado para contemplar uma maior discussão das questões das crianças com deficiência, além de promover estágios na Educação Especial”, afirma Helena Albuquerque, docente da Pós-Graduação em Educação: História, Política e Sociedade,da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). “Além disso, a formação continuada do docente é fundamental para a carreira.”Hoje, o Ministério da Educação (MEC) tem um programa para apoiar a formação continuada dos professores da Educação Especial em parceria com instituições públicas de Ensino Superior. Os cursos são realizados à distância, pela Universidade Aberta do Brasil (UAB), ou presenciais e semipresenciais, pela Rede Nacional de Formação Continuada de Professores na Educação Básica (Renafor).

Para os especialistas, a formação continuada é essencial, mas deveria ser aperfeiçoada. “Formar professores que saibam lidar com todas as deficiências é muito complicado. Normalmente, os cursos são de curta duração e não suprem tudo o que o professor precisa”, explica Enicéia Gonçalves Mendescoordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). “Além disso, o fato de muitos serem à distância também é questionável.”

Diálogo
A resolução de 2009 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que traz as diretrizes para a implantação do Atendimento Educacional Especializado (AEE), afirma que o professor responsável deve, entre outras funções, identificar, elaborar, produzir e organizar recursos pedagógicos, de acessibilidade e estratégias que considerem as necessidades dos alunos da Educação Especial.

Orientar os professores e as famílias sobre os recursos utilizados pelo aluno e promover a articulação com os professores da sala regular também estão entre as atividades estabelecidas. A última, no entanto, não ocorre como deveria, apontam os pesquisadores.

“O modelo de AEE muitas vezes não atende as necessidades da maior parte das crianças com necessidades especiais porque o que é feito na sala de aula regular não percorre a mesma linha do que é realizado na sala de recursos. Muitos dos que assumem o AEE não têm habilidades para lidar com a criança – lembrando que, nas salas multifuncionais, o MEC orienta a não separar os alunos por deficiência”, explica Enicéia, da Ufscar.

Segundo ela, é necessário que o professor do ensino regular e do AEE conversem e tenham projetos e metas coincidentes, para que o aluno com deficiência possa progredir. “É comum a sala de aula e o AEE serem em escolas diferentes, com professores de turnos diversos, que não conversam e não sabem nada do projeto pedagógico um do outro”, relata.

Para Rodrigo Mendes, diretor geral do Instituto Rodrigo Mendes, organização sem fins lucrativos com foco na Educação Inclusiva,o tema é compromisso de todos os profissionais da escola e das políticas públicas. “No ambiente educacional, o ideal é que haja envolvimento das secretarias de educação e suas equipes, da direção das escolas, da coordenação pedagógica, dos educadores – entendidos de forma ampla, pois todos os funcionários da instituição desempenham um papel educador”, afirma. “É preciso construir uma percepção coletiva de que a Educação Inclusiva é uma missão de todos: professores, educandos, funcionários da escola, pais, parceiros e poder público.”

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