Tráfico fecha escola na Sapiranga

“O medo imperou no Conjunto Alvorada, na Sapiranga, durante o dia de ontem. Ao longo da segunda-feira, espalhou-se pelo bairro uma “onda” de boatos de que os traficantes iriam invadir as escolas públicas da região. Tudo teria começado após o registro de um homicídio na Sapiranga, por volta das 11h30min, em que um jovem foi morto. A escola municipal Professor Aldaci Barbosa foi uma das que suspenderam as aulas no fim da manhã. Segundo um dos vigilantes, a direção da unidade recebeu um telefonema, em que bandidos garantiam que a invasão “de hoje (ontem), não passa”.

Outra unidade de ensino do Município que suspendeu as aulas, no período da tarde, foi a Professor Monteiro de Moraes. Em outras quatro escolas, o número de alunos reduziu drasticamente à tarde. Segundo os diretores, muitos pais, em clima de pânico, foram buscar os filhos na sala de aula. Uma das diretoras comenta que “se fosse fechar com cada ameaça, a escola não abriria durante o ano”. Porém, em nenhuma das seis unidades de ensino visitadas pelo O POVO a invasão foi concretizada.

Moradores da região contam que os traficantes se dividem por áreas, denominadas de “Muro Alto”, “Lagoa Seca” e “Fronteira”. O clima de tensão era facilmente notado entre os moradores. A Secretaria Municipal da Educação (SME) informa que a orientação dada é de que todas as escolas continuem, normalmente, com as atividades. O órgão diz que foi solicitado o reforço do policiamento junto à Secretária da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Além disso, cada escola pediu reforço policial, mas as solicitações não foram atendidas.

O comandante da 4ª Companhia do 5º Batalhão da Polícia Militar, capitão Marcos Luiz, responsável pela área, não soube informar o nome da vítima do homicídio e, até agora, os responsáveis pelo crime ainda não foram presos. Segundo ele, o mais provável é que o crime tenha sido motivado pela tráfico de drogas. O comandante enfatiza que não há gangues disputando a área. “Ali é uma região conflitante. Mas não são grupos, são pessoas que se indispõem umas com as outras”, comenta. Ele também minimiza a possibilidade de escolas serem invadidas, pois “em Fortaleza, não há ânimo para esse tipo de acontecimento.”

Sobre as críticas na segurança das escolas, o capitão Marcos Luiz diz que “as viaturas atendem integralmente, 24 horas por dia, a região. E precisam atender outros delitos”. Ele informa que uma viatura do Policiamento Ostensivo Geral (POG) e uma do Ronda do Quarteirão atendem a área, tendo sido solicitado um reforço do Raio e do Batalhão de Choque. A pedido da SME, a Guarda Municipal de Fortaleza também fará rotas pela área.”

(O POVO)