Desempenho fraco do Ensino Médio público estimula mudanças curriculares

Especialistas apontam o currículo dessa etapa como uma das causas para as baixas notas. O excesso de disciplinas seria o principal responsável pelo mau desempenho

Fonte: Agência Câmara (DF)

O desempenho dos Alunos do Ensino médio não evoluiu entre 2009 e 2011. Essa é a avaliação do Ministério da Educação (MEC), que anunciou em agosto o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação básica (Ideb), uma espécie de exame geral do Ensino básico no País calculado a partir das taxas de aprovação e do resultado médio dos Alunos em provas de português e matemática.

Especialistas apontam o currículo dessa etapa de Ensino como uma das causas para as baixas notas. O excesso de disciplinas seria o principal responsável pelo mau desempenho no Ensino médio.

Entre 2005 e 2009, o Ideb alcançado pelas Escolas públicas passou de 3,1 para 3,4, em uma escala que varia de zero a dez. Mas a nota parou de evoluir a partir de 2009. Além disso, em nove estados (Acre, Maranhão, Espírito Santo, Pará, Alagoas, Paraná, Paraíba, Bahia e Rio Grande do Sul), o Ensino médio chegou a retroceder em comparação com 2009.
Na média geral, o resultado do Ideb cumpriu a meta do MEC para o ano passado. Mas até o governo já admitiu que o desempenho do Ensino médio foi pior que o esperado. Em entrevista coletiva, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, admitiu que essa etapa de Ensino é “um grande desafio” para qualquer sistema educacional.

Na Câmara, dois projetos de lei preveem a divulgação do Ideb de cada Escola em murais visíveis a toda comunidade (PLs 1530/11 e 1536/11).

Muitas disciplinas
Um dos maiores problemas apontados por especialistas é o excesso de disciplinas ensinadas aos Alunos. Hoje, o currículo do Ensino médio tem 13 disciplinas obrigatórias. “Não há quem aguente, especialmente com atrasos Escolares e avanços na idade, um currículo com 13 componentes isolados e enciclopédicos e que não atendem às necessidades de vida do jovem, que tem que saber o que quer e já fez opções importantes na vida”, alerta o Professor da Universidade Católica de Brasília Cândido Alberto Gomes.

“Essa desmotivação acaba levando à evasão Escolar”, alerta o diretor do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro/DF), Rodrigo Rodrigues.

O doutor em Economia Claudio de Moura Castro concorda. “O currículo atual é excessivo, tem disciplinas demais, é chato, não fala do mundo real, é desinteressante e, portanto, altamente desencorajador. É preciso um pai muito insistente para conseguir que um filho fique na Escola. Na prática, metade vai embora depois de entrar no Ensino médio”.

“É importante discutir qual é o objetivo do Ensino médio para vida desses Alunos? Hoje o Ensino médio está pautado para realização do vestibular, e o vestibular é limitante, tem índices de exclusão muito grandes”, pondera Rodrigo Rodrigues. Continua: Ministério da Educação estuda propostas para alterar o currículo do Ensino médio, o Ensino técnico desperta interesse de Alunos e qualifica a mão de obra.