Educação: hora de cobrar qualidade

Está marcada para logo após as eleições municipais, no Senado, para começar a análise do projeto que estabelece as metas do Plano Nacional de Educação para o período de 2011 a 2020. Na pauta, entre outros pontos, a grande polêmica, histórica já, envolvendo a destinação à Educação de recursos equivalentes a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de bens e serviços produzidos no País.

Atualmente, a União, os estados e os municípios aplicam, juntos, pouco mais de 5% do PIB no setor. A questão é que esses 5% de investimento do PIB na Educação põe o Brasil entre os maiores índices entre os 42 países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a frente de Reino Unido, Canadá e Alemanha, por exemplo. Investir um décimo de toda a riqueza produzida no País deixaria o Brasil em primeiro lugar no ranking, acima da Islândia, que investe 7,8% do PIB em Educação hoje. O paradoxal dessa questão toda é que, apesar de ser um dos países que mais investem, proporcionalmente, em Educação, o Brasil encontra-se somente em 53o lugar – de um total de 65 – no Pisa, o programa de avaliação da qualidade da Educação que avalia a capacidade dos alunos em matérias como Ciências, Leitura e Matemática.

É inadmissível que o Brasil tenha a sétima economia mundial, mas perca para países miseráveis na qualidade da Educação fornecida a seus jovens.

É preciso cobrar não somente o aumento do montante de dinheiro público investido na área, e sim, também, a qualidade desse gasto, uma vez que, seguindo-se o atual modelo de gestão emprego, corre-se o sério risco de vermos milhões de reais do contribuinte simplesmente escorrerem pelo ralo da má administração e da corrupção.

É preciso cobrar dos gestores metas claras, transparência administrativa e, principalmente, resultados concretos para um problema que não é somente de falta de verbas, e sim, de como geri-las bem. É hora de cobrar qualidade.

O Estado – CE