Pedagogia da sensibilidade

Estou deveras preocupado com o que o Sistema e seus lacaios tem feito com nossos educadores, pois algo está tirando o sentido da sensibilidade dos educadores e os transformando em seres frios e calculistas no sentido da promoção da educação onde vislumbra – se aspectos como condições financeiras, vantagens no trabalho e pouco se pensa no respeito que a profissão merece e qual o verdadeiro sentido de uma educação real e, sobretudo , amorosa, combativa e engajada .

Paulo Freire sempre dizia que sua luta era para que a Justiça Social se fizesse antes da caridade que infelizmente é uma forma de degradação do ser humano impossível de ser engolida em pleno terceiro milênio.

Há pessoas que acham que resolvem seus problemas e irão certamente para o céu dando esmolas ou participando de rituais religiosos sem se preocupar com o verdadeiro sentido da solidariedade que seria retirar das ruas a mendicância, a prostituição e a violência. Nossos professores precisam apostar na sensibilidade de seu trabalho e com a nobreza de sua profissão aproximando da matéria-prima que tem e que realmente não pode ser mudada.

Professores, hoje, remam contra a degradação da sociedade, desrespeito dos governos, insensibilidade dos gestores e pasmem dos próprios colegas, mas precisam superar todos esses elementos no sentido de gerar uma prática que seja crítica, altruísta e real. Infelizmente alguns professores ainda têm posturas pouco recomendáveis para quem quer ser educador o que fortalece o desrespeito da sociedade e dos governantes para com sua figura e o que ela representa. Recentemente, já fui alvo de dúvidas de minha sanidade mental, simplesmente, pelo fato de chorar ao ver atividades feitas de forma bela pelos meus alunos.

Num outro momento, um educador chegou para mim e pediu para que eu retirasse da parede um trabalho de raríssima beleza feito pelos alunos ao qual ele chamou simplesmente de “pano”, pois sua cegueira subserviente não via o sentido real do trabalho ali desenvolvido.

É meus amigos, como diz um pensador “A árvore que o tolo vê , não é a mesma que o sábio vê…que pena… Em outro momento, ao propor uma ação que denominei de “ almoço ecológico”, ouvi uma professora dizer que jamais comeria algum alimento feito por “esses alunos”, como se pelo fato deles serem pobres não ter higiene alguma. Onde estamos ? Como podemos veicular histórias deste tipo em um ambiente de educação? Esta realidade constata que somos muito competentes teórica e formalmente, no entanto, somos incapazes de descer de nosso pedestal para conviver com os alunos e escutá-los.

O Estado – CE